Agência Estado
De São Paulo
A Petrobrás vai explorar sozinha o megacampo de petróleo descoberto em águas profundas no final da última semana, em um bloco da Bacia de Santos. Pelas primeiras projeções, as reservas podem ser de 600 milhões a 700 milhões de barris. O poço pioneiro, o 1-RJS-539, foi localizado a 1.595 metros de profundidade e fica na área de abrangência do Estado do Rio – a Bacia de Santos engloba o litoral de quatro Estados. Por isso, a Petrobrás irá pagar royalties ao governo fluminense.
O campo pode começar a produzir em um ano e meio ou dois anos, se a estatal adotar o modelo antecipado de desenvolvimento, ou seja, que acelera a produção. Em alguns dias, serão iniciados estudos sísmicos adicionais e novas perfurações – haverá dois ou três poços para delimitar a acumulação de óleo. Em seis meses, a Petrobras terá uma noção mais exata do volume das reservas e dos investimentos necessários. Confirmada a estimativa preliminar, a produção do campo pode ultrapassar 100 mil barris diários.
No final de semana passado, a 25 quilômetros do campo recém-descoberto, a Petrobras começou a perfurar outro poço, o 1-RJS-542, em uma lâmina d’água de 1.490 metros. As perfurações devem demorar mais 45 dias. Já se sabe que o maior campo da Petrobrás em reservas – Roncador, na Bacia de Campos – tem o equivalente a 1,35 bilhão de barris, mas o volume pode chegar a 2,2 bilhões. Toda a Bacia de Campos tem reservas provadas de óleo equivalente (petróleo mais gás) de 6,9 bilhões de barris. Entre as provadas e as possíveis, as reservas podem chegar a 14 bilhões, 82% do total da Petrobrás.
Segundo o diretor de exploração e produção da empresa, José Coutinho Barbosa, ‘‘foi a primeira grande descoberta em uma grande bacia, depois de 30 anos de resultados modestos’’. Nesse tempo todo, a Bacia de Santos recebeu investimentos de US$ 850 milhões: US$ 500 milhões a US$ 550 milhões da Petrobrás e o restante aplicado pelas 12 companhias que assumiram os contratos de risco. Desde 1971, 100 poços foram perfurados em Santos, mas sempre em águas rasas, com profundidade de até 400 metros.
‘‘A descoberta em Santos cria a perspectiva para uma nova e importantíssima província petrolífera’’, declarou Coutinho. Com a certeza da existência de petróleo, diminui o risco para as empresas que têm concessões de exploração em outros blocos da área. ‘‘E finalmente encontramos óleo leve’’, completou o diretor.
A descoberta pode reduzir a dependência externa da Petrobrás, no entanto Coutinho prefere não se antecipar à constatação final do tamanho das reservas. A empresa produz cerca de 1,13 milhão de barris por dia, mas o consumo nacional excede esse volume em 600 mil barris diários.

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