Empresa teve lucro de R$ 632 milhões em 96
Arquivo FolhaO ministro Kandir: preço só será definido na reunião de hoje do CNDRIO - Na véspera da reunião do Conselho Nacional de Desestatização (CND) que deverá estabelecer o seu preço mínimo, a Companhia Vale do Rio Doce divulgou ontem seu balanço anual, que apresentou um lucro líquido de R$ 632 milhões em 96, superior em 76% ao registrado em 95. Este resultado fornece munição a opositores da privatização da Vale, que sustentam que não se deve vender uma empresa que é lucrativa.
A Vale está disposta a pagar aos seus acionistas dividendo de R$ 0,66 por ação ordinária ou preferencial, no total de R$ 258 milhões. Em nota distribuida no início da noite, a estatal diz que esse elevado desembolso é adequado à atual estrutura da companhia e não prejudica nem o seu programa de investimentos e nem o nível de endividamento.
O lucro de R$ 632 milhões foi obtido pelo critério contábil de correção monetária integral, ou seja, os efeitos da inflação sobre receitas e despesas da empresa foi levado em conta. Pelo critério da legislação societária, em que a inflação não pesa, o lucro líquido ficou em R$ 517 milhões, cifra 57% maior que a de apurada em 1995. O dividendo será pago com base no lucro pela legislação societária. O faturamento bruto da empresa, por este critério, foi de R$ 2,970 bilhões (em 95, R$ 2,9 bilhões). Pela correção integral, ficou em R$ 2,878 bilhões, ao passo que no ano precedente tinha sido de R$ 2,419 bilhões. O lucro por ação ficou em R$ 1,33 pela correção integral.
Segundo a nota, o bom resultado do ano passado deveu-se a vários fatores, entre eles uma redução de 9% nos custos, que cairam de R$ 2,24 bilhões em 95 para R$ 2,045 bilhões no ano passado. Os custos cairam em decorrência de ganhos de produtividade, redução no quadro de pessoal no primeiro semestre de 95, investimentos em modernização e, principalmente, capitalização de juros, no valor de R$ 140 milhões, o que resultou em um efeito líquido positivo de R$ 91 milhões.





