Empresa tenta retomar atividades
O advogado da Usina Casquel, Alcides Aparecido Ferraz, informou que a empresa parou de funcionar há mais de 20 dias por conta de dois processos que determinaram a apreensão da produção, o que acabou inviabilizando as atividades. ''A gente já entrou com recurso para reverter essa determinação e assim retomar os trabalhos'', disse Ferraz, destacando que funcionando a usina tem mais condições de sair da crise e frisando que a medida se faz necessária porque a empresa emprega de 800 até 1,5 mil funcionários no auge da safra. Mas avisou que a curto prazo a previsão é de que a indústria continue fechada.
Segundo o advogado, há alguns anos a usina passa por dificuldades financeiras que se agravaram nos últimos meses. ''O setor sucroalcooleiro é muito instável, em muitos períodos o custo de comercialização não cobre o custo de produção'', justificou. Ferraz preferiu não confirmar o valor da dívida da empresa ''porque se tiver alguém interessado em comprar a usina, divulgar esse número pode atrapalhar os negócios''. E depois desconversou sobre o asssunto, dizendo que os proprietários não querem vender a empresa e que a usina vai se recuperar desse momento difícil.
O superintendente da Associação de Produtores de Bionergia do Estado do Paraná (Alcopar), Adriano da Silva Dias, observou que o setor passou por diversos problemas no ano passado, o que pode ter acarretado ou mesmo agravado a crise em algumas empresas. Conforme ele, o maior problema foi o reflexo da crise financeira mundial na produção de açúcar e álcool.
Algumas empresas, acrescentou, planejavam uma expansão, deram início ao projeto, mas por conta da crise não conseguiram financiamento e ficaram descapitalizadas. ''De uma hora para outra se viram em dificuldade'', enfatizou Dias. O representante da Alcopar destacou que as empresas que conseguiram passar 'ilesas' pela crise foram aquelas que estavam capitalizadas, pretendiam investir na expansão, mas ainda não haviam usado esse recurso - próprio ou financiado.
No caso da Casquel, o problema vinha de alguns anos e se agravou com a crise. Além disso, 2009 foi um ano climático atípico, com muita chuva, o que acabou atrapalhando a colheita e, consequentemente, a produção do setor. Além disso, os preços do álcool estavam ruins. Ainda sobre as dificuldades das empresas no Paraná, Dias comentou que a crise financeira atrapalhou, porém deficiência na gestão e falta de planejamento podem ter acentuado o problema.
Para este ano, contudo, as expectativas para o setor sucroalcooleiro são bastantes positivas. ''Passamos por um período com melhores condições comerciais e financeiras. E o mercado se mostra promissor e com demanda'', enfatiza. Ele acredita que se forem liberados os recursos que o governo tem prometido para financiar estoques ajudará ainda mais a amenizar a crise das empresas. (E.Z.)





