Uma empresa sustentável não é aquela que está preocupada apenas com o meio ambiente. Para continuar operando indefinidamente no futuro, é necessário considerar também os pilares social, econômico-financeiro e governança corporativa. ''Esse é o segredo para se sustentar sem prazo de validade'', garante Mauro de Almeida Ambrósio, sócio da área de Sustentabilidade da BDO Auditores e Consultores, de São Paulo.
De acordo com ele, esse modelo de gestão surgiu há mais de 50 anos no mundo e, atualmente, é bastante forte na Europa. No Brasil, o seu embrião foi a ''responsabilidade social'', que teve início no final da década de 1980. A primeira manifestação de sustentabilidade, nos moldes atuais, ocorreu no começo de 2000. ''É uma evolução da antiga responsabilidade social, com a inclusão de outros pilares'', observa.
A sustentabilidade começou a ser implantada primeiramente no Sudeste e no Sul do País, principalmente no Rio Grande do Sul. Segundo Ambrósio, o Paraná tem bastante preocupação em seguir essa gestão e as empresas começam a olhar muito fortemente para relatórios de sustentabilidade. ''As regiões Sul e Sudeste são mais evoluídas nesse sentido, por serem mais desenvolvidas'', considera.
Esse tipo de gestão ainda tem muito para crescer. ''Hoje, temos conhecimento de aproximadamente 1.000 empresas que fazem algum tipo de relatório de sustentabilidade'', diz. No entanto, ele não descarta a possibilidade de existirem outras que tenham esse tipo de gestão, mas não produzam nenhum relatório. ''Estimamos que nem 20% do total de empresas brasileiras sejam sustentáveis. Temos muito para evoluir'', observa.
Segundo Ambrósio, agir com sustentabilidade é estar preocupado não só com a riqueza própria ou com a remuneração empresarial, mas também em ouvir todos os interessados na existência da empresa, o que é chamado de 'stakeholder', ou seja, público de interesse.
Entre os benefícios de trabalhar com esse modelo, o especialista elenca: duração perpétua da empresa, diferencial de venda mais atrativo, retenção de profissionais mais talentosos, relacionamento cordial com o governo, redução de riscos e melhora da imagem empresarial. Além disso, complementa, a empresa sustentável sofre menos com a crise, visto que, baseada nos quatro pilares, tem mais capacidade para enfrentar situações difíceis. ''Quem não trabalhar com essa gestão, certamente, um dia vai deixar de existir'', reitera.
Por outro lado, há desafios e dificuldades para implantar a sustentabilidade. O primeiro passo é sair do discurso e incorporar o conceito no planejamento estratégico da empresa. Também é fundamental que os proprietários da empresa e a alta direção abracem a causa. Outro ponto é definir os públicos de interesse e os projetos em relação à atividade da empresa e região em que está inserida.
''Muitos resvalam nesses pontos por falta de conhecimento, medo da informação e por não fazerem os investimentos necessários'', reitera Ambrósio. De acordo com ele, o investimento varia muito. ''Há empresas que fazem projetos de sustentabilidade fantásticos com custo baixo e outras não fazem o planejamento e jogam dinheiro fora'', conta. Optar por uma matéria-prima local em vez de comprar o mesmo produto em outro Estado, é um dos exemplos citados pelo especialista como estratégia ligada ao público de interesse, que pode ter baixo custo.
Com o objetivo de definir sustentabilidade, apresentar suas vantagens e oferecer direcionamento para a implantação do modelo, Ambrósio vai conduzir uma palestra hoje durante o XXX Ciclo de Estudos Contábeis de Londrina, realizado nesta semana no Teatro Marista.

Imagem ilustrativa da imagem 'Empresa sustentável tem duração perpétua'