Empresa quer trazer gás natural a Londrina
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quinta-feira, 02 de outubro de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia Paranaense de Gás (Compagas) está estudando alternativas para comercializar gás natural em Londrina e outras cidades do norte do Paraná. A hipótese mais viável no curto prazo é transportar o gás natural líquido, por rodovia, para abastecer indústrias e gás veicular de Londrina. Já o atendimento a clientes residenciais fica na dependência de estender um ramal do gasoduto Brasil-Bolívia para o interior do Estado. Mas os estudos para concretizar os projetos estão adiantados, informou ontem Rubico Camargo, presidente da empresa.
O transporte de gás natural na forma líquida para Londrina seria feito a partir de uma planta de liquefação de gás natural que a Petrobras tem em parceria com a White Martins no município paulista de Paulínia. Segundo Camargo, o transporte do gás na forma líquida reduz em 600 vezes o volume do produto, o que tornaria o transporte viável. Camargo não soube precisar o valor que esse tipo de gás poderá ser ofertado às indústrias, mas adianta que apesar do custo do frete, mais caro, ainda assim será menor que o custo do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), pago pelas indústrias.
Ao mesmo tempo que tenta viabilizar o transporte de gás natural, em no máximo 18 meses, Camargo lembrou que a Compagas está analisando outras duas opções para construir um ramal do gasoduto que passe pelo norte do Paraná. ''Inclusive o gás líquido abriria mercado para o produto distribuído pelo gasoduto que virá na sequência'', afirmou.
Uma das opções seria estender um ramal de aproximadamente 300 quilômetros entre o gasoduto que passa pelo interior de São Paulo e Londrina. O projeto dessa opção já está bastante adiantado, inclusive com os estudos de impacto ambiental concluídos. A obra está orçada em US$ 50 milhões. O problema é que esse ramal atenderia apenas a região de Londrina.
Por isso não está descartada uma terceira opção, mais cara embora mais abrangente. Seria a construção de uma rota do gasoduto, ligando as cidades de Campo Grande e Dourados, em Mato Grosso do Sul, até Londrina. Seria a ''rota do chimarrão'', que passaria pelo interior dos estados de Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Esse ramal custaria US$ 200 milhões, mas no Paraná atenderia outras cidades do interior como Maringá e Cascavel.
Exceto a primeira opção, que está em curso, Camargo disse que as demais opções dependem de recursos do governo federal para infra-estrutura. Segundo ele, a Compagas terá para o ano que vem um orçamento de R$ 20 milhões para investimentos, que serão aplicados na ampliação da rede de distribuição já existente em Curitiba. A prioridade será atender o mercado residencial e o gás veicular. A Compagas já contabiliza 8 mil veículos rodando com gás natural em Curitiba.
O presidente da empresa aposta no aumento do consumo de gás natural em função da queda no preço do produto. Passado o período de influência da alta do dólar ocorrida no ano passado, quando o preço do gás natural chegou a aumentar 70%, este ano o produto teve um aumento de 2,65%. Camargo acredita que não haverá reajuste até o final do ano porque está havendo um equilíbrio no preços dos dois principais componentes do custo do gás, que é o dólar e o petróleo. ''Se de um lado o custo do petróleo subiu, de outro o custo do dólar abaixou'', explicou.


