O grupo Norske Skog Klabin (NSK), com fábrica em Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa), deve investir US$ 500 milhões na instalação de uma nova indústria de papel de imprensa no Brasil. A sede da unidade, prevista para entrar em operação em meados de 2003, será no Paraná. O município ainda não foi definido.
O novo investimento, no entanto, não deve solucionar os problemas de escassez de papel de imprensa, na opinião do diretor comercial da NSK Ivo Pasinato. A falta do produto fez o preço aumentar mais de 50% desde o final do ano passado. Para Pasinato, o barateamento do insumo depende do aumento da capacidade produtiva mundial.
Uma nova alta no preço, em torno de US$ 60, está prevista para o próximo mês, segundo ele. Hoje, a tonelada de papel custa cerca de US$ 750. ‘‘É o maior preço dos últimos dez anos. Até o ano passado havia excesso de produção e o papel custava US$ 550.’’
O aumento do consumo e a redução da produção por vários fabricantes em todo o mundo foram responsáveis pela disparada dos preços do papel no final do ano passado, analisa. ‘‘Com o preço antigo, de US$ 550 a tonelada, o negócio deixou de ser atrativo, fazendo com que vários grupos reduzissem suas produções’’, afirma Pasinato.
As fusões entre empresas também contribuíram para a diminuição da oferta de papel. Mas o consumo explodiu na Ásia e Estados Unidos neste ano. ‘‘A máquina da Klabin ficou 50% do tempo parada no ano passado e em seguida foi negociada com a Norske’’, conta Pasinato.
A nova fábrica da NSK vai produzir entre 300 mil e 350 mil toneladas de papel de imprensa por ano. O consumo deste tipo de papel no Brasil foi de 600 mil toneladas no ano passado, devendo chegar a 650 mil toneladas neste ano.
Em três anos, a previsão de consumo é de 800 mil toneladas/ano, contra uma previsão de produção de 450 mil toneladas/ano. Atualmente, cerca de 60% do papel de imprensa usado nos jornais brasileiros é importado, principalmente do Canadá.
O diretor comercial da T.Janer, Luiz Carlos Baralle, acredita que os preços devam continuar altos pelos próximos três anos. O papel é uma commodity, cujo preço é determinado pelo mercado internacional. ‘‘É preciso que haja um equilíbrio entre oferta e procura. Para isso, seria necessária a retomada de investimentos internacionais nesta área.’’
Baralle diz que, fora os investimentos da NKS, por enquanto não há notícias de outros projetos de expansão no mundo. ‘‘Pelo contrário, a Abi-Con está retirando 800 mil toneladas do mercado, de duas fábricas localizadas no Texas, nos Estados Unidos, e na França.’’
No Brasil, houve um aumento de consumo de 9,2% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, passando de 398 pmil para 434 mil toneladas. A previsão é atingir 650 mil toneladas até o final do ano. Este crescimento deve-se ao lançamento de grandes jornais como o Valor Econômico, Diário Gaúcho e Notícia Agora.
Segundo Baralle, por enquanto os jornais brasileiros estão ‘‘segurando’’ os preços do produto e dos anúncios. ‘‘Mas certamente haverá repasses. Os jornais não vão conseguir absorver o aumento de 50% acumulado nos últimos 12 meses’’, estima.

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