Curitiba A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) anunciou ontem que a multinacional Cargill não cumpriu com o acordo para transferência de soja contaminada para o silo público e por isso sofrerá punições. Cerca de 70 mil toneladas de soja armazenadas no porto no mês passado estavam contaminadas com a presença de organismos geneticamente modificados. O prazo para transferência da carga era do dia 1º de novembro ao dia 15, sábado passado. A Cargill teria iniciado o deslocamento apenas no dia 11 e transferido somente 5,9 mil toneladas de um volume de 16,6 mil toneladas.
Enquanto a Cargill não realizar a limpeza dos armazéns, não poderá receber nenhuma carga de soja. A Appa quer evitar a contaminação da soja com material transgênico. A multinacional terá que retirar por conta própria as cerca de 10 mil toneladas de soja que ainda possui. Como a Lei Estadual 14.162 proíbe o transporte de carga transgênica pelo Paraná, a Cargill vai precisar de autorização da Assembléia Legislativa e do governador Roberto Requião (PMDB), informou a assessoria de imprensa da Appa.
Pelo acordo firmado com os operadores portuários, a carga que está no silão deverá ser embarcada nos dias 24 e 25 deste mês. São 64 mil toneladas, sendo 19,5 mil toneladas dos armazéns da AGTL (empresa arrendatária do terminal de propriedade do governo paraguaio), 5,9 mil toneladas são da Cargill e pouco mais 5 mil toneladas da empresa Pazianelo. O restante da carga já estava estocada no silo da Appa.
A reportagem tentou contato ontem com a Cargill, mas não conseguiu entrevistar ninguém porque o expediente da empresa terminava às 17 horas. O superintendente da Appa, Eduardo Requião, disse que a empresa desrespeitou o acordo firmado e que não aceita prorrogar o prazo para a transferência da carga.

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