Quando ouvimos a palavra ‘‘empresa’’, normalmente o que nos vem à mente é a de um empreendimento, firma ou associação de caráter comercial, industrial ou de prestação de serviço. Um veículo imprescindível ao desenvolvimento e ao progresso. Um negócio que, dentro da concepção capitalista, deve maximizar sua margem de contribuição financeira, através da fidelidade adquirida decorrente da satisfação proporcionada aos seus clientes. Em síntese, uma estrutura física que abriga móveis, máquinas e pessoas com objetivo de fornecer produtos e serviços, ou seja, realizar sonhos, desejos e antecipar-se no atendimento das necessidades dos seus consumidores.
Mas, existe uma outra estrutura que vai além de um simples lugar, onde pessoas processam negócios e realizam sonhos. É algo vivo, com corpo, alma e espírito, assim, como o ser humano. A empresa se compõe de uma estrutura física que é o corpo, de um fluxo energético, que corre através das máquinas e nos negócios que se materializam em produtos e documentos que é a alma e, do espírito, que é o seu corpo funcional, sem o qual, os dois outros componentes não funcionam.
A partir do momento em que os empregados adentram ao espaço físico para mais um dia de trabalho, é como se a estrutura da empresa ganhasse vida; não percebemos, mas ela abre suas portas e nos acolhe como se cada átomo de sua composição nos desse as boas vindas dizendo: ‘Sejam bem vindos, eu os aguardava; meu corpo, sem o espírito, não está completo, minha unidade se compõe das partes e, cada uma das partes, é a unidade.’
Muitos dos componentes do corpo funcional da empresa estarão trazendo de sua jornada do fim de semana angustia, dores, tristezas ou até uma dose de amargo pensar, mas trarão, também, alegria, felicidade e emoção de estar mais um dia em contato com o corpo e poder compartilhar da experiência de viver, sentir e servir. A empresa acolhe a todos independente do estado emocional.
Ela sabe que o fator humano é um produto ainda não acabado, só tem alguns milhões de anos, está em fase de crescimento e é aprendiz em lidar na arte da vida e das emoções. E, a partir do início dos trabalhos, a empresa material ganha vida.
A verdadeira empresa seria um estado de espírito. Seria a grande herança do pensamento racional vivido e legado aos sucessores, no decorrer dos séculos e que não teria lugar específico para ficar. É um estado de espírito que se renovaria através dos séculos, graças a um grupo de pessoas que ostentariam tradicionalmente o título de empregados, título esse que, no fundo, também não faria parte da empresa. A verdadeira empresa seria nada mais nada menos que o corpo contínuo da razão em si. O empregado, esse guerreiro, misto de matéria e força divina é elo no caudal da evolução, responsável também pelo futuro, legado necessário para perpetuação da própria espécie, realizado na sua postura e conduta.
Além desse estado de espírito, a razão, existe uma entidade legal que, infelizmente, atende pelo mesmo nome, mas que é muito diferente. Exige-se dos profissionais que ali trabalham todas as qualificações necessárias: profissionalismo, clareza de idéias, aptidão a multifunções, destreza, experteza e trabalhar sob pressão, que não é uma exigência somente da empresa, é de um fator conhecido como globalização, ao qual estamos todos inseridos e devemos necessariamente fazer uma opção, participarmos ativa ou passivamente desse processo.
Uma idéia deve ficar bem clara em nossa mente: é que o pacote ‘ser humano’ é mais do que simples qualificações, ele é algo que transcende o vulgo, ele é emotivo, e quando temos um empregado desempenhando suas funções, com todas as qualificações exigidas, ele carrega dentro de si todos os elementos daquela empresa, já mencionados, ele é corpo, alma e espírito. Não dá para contratar em separado, o profissional e o emotivo, pois eles estão em um só pacote.
Portanto, caros empregados e irmãos, estamos navegando em uma pequena nave, chamada empresa, e esta, por sua vez, está em uma outra nave maior chamada terra, que por sua vez está dentro de uma outra nave, muito maior, chamada universo que, por sua vez, esta no seio de uma nave mãe, chamada DEUS.
Todos fazemos parte dessa composição, estamos ligados por valores que vão além da ligação profissional. Ligação esta que é um laboratório, onde os cadinhos trabalhados são as experiências que podemos desenvolver para o nosso crescimento e atingir a realização como ser humano, buscando extrair nesse laboratório a essência divina que existe em cada um de nós e projetá-la como um archote dentro da noite escura da ignorância que permeia a humanidade, cumprindo a missão que lhe foi confiada.
Cada empregado, cada profissional, cada ser humano é um tesouro por descobrir, todos encerram em si a grandeza do universo, são pérolas preciosas que ornamentam o colar da divindade, todos tem o seu lugar assegurado, com um brilho especial, assim como as estrelas no firmamento.
Trabalhe o ser divino que existe em você e se dê a chance de brilhar. Estamos no aguardo desse brilho para ajudar a iluminar o caminho que nos levará a um estado de comunhão. Transforme o seu estado de espírito em um epicentro positivista e deixe-se irradiar em todas as direções. Seja um agente da transformação.
- LUIZ RAMOS DA SILVA é mestrando da Universidade Federal de Santa Catarina-Convênio Tecpar, no curso de Engenharia da Produção, e tem como orientador José Francisco Salm

mockup