Rio de Janeiro - O salário pago pelas grandes empresas do comércio brasileiro não acompanhou a evolução do salário mínimo neste início de século. Segundo a Pesquisa Anual de Comércio (PAC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor médio pago pelas companhias com mais de 250 empregados era de 4,7 salários mínimos em 2000. Seis anos depois, esse valor tinha caído para 3 salários mínimos.
No setor como um todo, a renda dos trabalhadores recuou 10%, passando de 2 salários mínimos em 2005 para 1,8 em 2006, mostra o levantamento. O mínimo teve reajuste de quase 17% no período, passando de R$ 300 para R$ 350. ''O mínimo cresceu bastante, acima da inflação, e o salário médio não teve o mesmo fôlego'', diz o técnico do IBGE Luiz Andres Paixão. ''Mas o trabalhador do comércio teve ganho salarial'', afirma Paixão.
Segundo ele, o salário médio real dos empregados no setor foi de R$ 623 mensais em 2006, contra R$ 601 em 2005. ''Houve um aumento de 3,7%'', diz Paixão. Em 2006, o segmento líder em produtividade foi o de combustíveis e lubrificantes. No atacado, cada trabalhador em atuação nessa atividade respondeu por um valor adicionado de R$ 168.199. No varejo, por R$ 34.004. ''É um segmento muito particular, que reúne poucas empresas, emprega pouca gente e gera muita receita'', afirma o técnico do IBGE.
1,3 mi de empresas
O comércio varejista brasileiro apresentava, em 2006, 1,3 milhão de empresas (83,6% do total das empresas comerciais, que inclui também o atacado e o segmento de veículos), com aproximadamente 5,8 milhões de pessoas ocupadas, despendendo R$ 39,8 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações (64,6% do total do comércio). Apesar de reunir o maior número de empresas, o varejo dispunha de apenas 41,3% da receita operacional líquida do comércio em 2006.
Segundo a PAC, os destaques do varejo em 2006 foram o comércio de combustíveis e lubrificantes (R$ 104,8 bilhões, com 1.870 empresas), que liderou a receita líquida de revenda do varejo. Por sua vez, a atividade de hiper e supermercados, com 9,8 mil empresas, obteve R$ 100 bilhões de receita e ocupou 722,5 mil pessoas.
No que diz respeito ao comércio atacadista, foram gerados, em 2006, R$ 462 bilhões (43,5% do total do comércio) em receita operacional líquida, com 1,9 mil empresas (ou 7,2% do total do comércio. A pesquisa revelou que 1,1 milhão de pessoas estavam ocupadas nas empresas atacadistas, ou 14,8% do total.
O restante das empresas comerciais é composto pelo segmento de veículos, peças e motocicletas (9,2% do total do comércio), que geraram R$ 156,1 bilhões (14,7% do total) em receita operacional líquida em 2006, ocupando 711,7 mil pessoas (9,4% do total).
As vendas de veículos automotores obteve a maior receita líquida de revenda deste segmento (R$ 108,6 bilhões), enquanto as vendas de peças para veículos liderou o número de pessoas ocupadas (437,2 mil pessoas).

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