Curitiba - O presidente da fábrica de pneus remoldados BS Colway, Francisco Simeão, anunciou ontem em coletiva de imprensa em São Paulo, que vai transferir metade da unidade industrial que hoje opera em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, para o Paraguai. Essa decisão também levou à demissão de 500 funcionários. Não é descartada a transferência total da fábrica para o Paraguai. Um dos motivos que o levou a tomar essa medida é o fato de o governo brasileiro ameaçar editar uma medida provisória (MP) proibindo a importação de pneus usados. Ele lembrou que o executivo federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) através da qual alega que a importação de pneus usados para a fabricação de remoldados prejudica o meio ambiente.
''Chegamos a um ponto que não suportamos mais a pressão do governo federal e do Ibama. Fui obrigao a tomar essa decisão para salvar uma parte dos empregos. Isso deve fazer o presidente Lula refletir'', declarou Simeão que também é presidente da Associação Brasileira da Indústria de Pneus Remoldados. Segundo ele, serão mantidos 500 trabalhadores na fábrica do Brasil e outros 200 nos cinco programas sociais como o ''Bom Aluno''. Caso a unidade brasileira feche as portas, todos os programas sociais serão extintos.
Metade do maquinário utilizado em Piraquara será transferido para o Paraguai. ''Vamos substituir os trabalhadores brasileiros pelos paraguaios'', disse. Simeão informou ainda que os trabalhadores daqui que quiserem trabalhar no Paraguai terão essa opção. Os funcionários da fábrica brasileira estão em férias coletivas desde 1º de julho que deve se estender até o final deste mês.
A fábrica Paraguaia deve entrar em operação daqui um ano e ficará no município de Arandarias, ao lado de Ciudad del Este. Segundo ele, o governo paraguaio ofereceu uma série de incentivos como isenção de tributos para importação dos pneus usados da Europa e 50% de redução na energia elétrica. Quando a unidade paraguaia exportar os pneus remoldados para o Brasil pagará 0,5% de tributação sobre o faturamento e ao vender os produtos no Paraguai será tributada em 10%.
Ele disse ainda que, em agosto, a fábrica de Piraquara produzirá 100 mil pneus por mês e a do Paraguai deve fabricar o mesmo volume daqui um ano. Naquele país serão contratados 500 funcionários. Será necessário ainda o investimento de US$ 5 milhões em um armazém que pode ser financiado em 20 anos, com cinco anos de carência para pagar e a juros de 6% ao ano.
A União Européia contestava o fato de o Brasil proibir a importação de pneus usados. Por isso, entrou com pedido de liberação na Organização Mundial do Comércio (OMC). A OMC deu razão ao governo brasileiro e manteve a proibição da importação dos pneus da Europa. A importação dos países do Mercosul, por enquanto, é liberada.

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