Empresa diz que só MP evita falência
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
Só uma medida provisória emergencial, que introduza na legislação brasileira a figura da empresa em recuperação - uma situação intermediária entre a concordata e a falência - pode evitar a quebra da Encol, afirmou ontem o interventor da empresa, Jorge Washington Queiroz. Segundo Queiroz, a proposta de adoção de uma figura deste tipo, em estudo pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal com o apoio do Legislativo, será encaminhada ao ministro da Fazenda, Pedro Malan.
Se uma providência não for tomada dentro de dois ou três dias, a falência é o único caminho, disse Queiroz. Frustrado com o rompimento do acordo feito em maio com o pool de 38 bancos credores da empresa, o interventor nomeado pelos bancos para administrar a construtora diz que o acordo costurado nos primeiros meses do ano evitou, até hoje, o fechamento da empresa. Entretanto, sem ele ou uma alternativa, Queiroz avalia que não há solução. E, se fechar mesmo, segundo o interventor, a perda será de todos: credores, mutuários e trabalhadores.
Queiroz lembrou que a situação que encontrou na empresa já era difícil em janeiro deste ano. Os bancos fizeram a intervenção numa empresa insolvente, falida, afirmou. Daí a exigência do afastamento do ex-presidente, Pedro Paulo de Souza, e de toda a sua diretoria, que foi substituída integralmente por pessoas de confiança dos bancos. Queiroz esclareceu que, por conta do afastamento forçado, Pedro Paulo de Souza não responde mais pela Encol desde então.
De acordo com o interventor, a auditoria feita na Encol a pedido da própria empresa por determinação dos bancos credores, é uma exigência legal. Precisávamos ter o balanço de 1996, justificou Queiroz.(leia nesta página).
Para evitar a perda de suas poupanças e também a perda do emprego para os 12 mil trabalhadores, mutuários e empregados da Encol vêm fazendo sucessivas manifestações em Brasília para cobrar o apoio do governo para uma saída que evite a falência da construtora. Eles avisam que, no caso de quebra da empresa, entrarão na justiça também contra o pool de bancos, que inviabilizou uma solução.


