A direção da Ford não vai voltar atrás na decisão de demitir 2.800 empregados da fábrica de São Bernardo do Campo. A informação é do diretor de recursos humanos, Carlos Augusto Marino. Segundo disse, no primeiro pronunciamento da empresa desde o anúncio das demissões, hoje a montadora conversará com o sindicato para buscar uma forma de retomar o trabalho. ‘‘Mas não podemos produzir um volume de carros que o mercado não vai comprar; por isso não há como negociar a volta dos demitidos’’, explicou.
Marino lembrou que o mercado hoje, de 1,2 milhão de veículos por ano (projeções feitas com base no atual ritmo das linhas) é a metade de há um ano atrás. ‘‘Existem coisas que não se chama o parceiro para discutir. São ações que a empresa tem que tomar de forma imperativa’’, destacou.
O executivo disse que espera do sindicato compreensão para transformar a Ford de São Bernardo do Campo numa fábrica preparada para lançar novos modelos e ser competitiva. Por isso, disse, não procede o temor dos sindicalistas de que a companhia estaria esvaziando atividade no ABC para fortalecer o investimento na nova fábrica em Guaíba, no Rio Grande do Sul. ‘‘O projeto de Guaíba é para 2002 e nós precisamos trabalhar na fábrica de São Bernardo para lançar novos produtos’’, completou.
Ele justificou a decisão da empresa de anunciar as demissões na véspera do Natal como uma maneira ‘‘para que o trabalhador pudesse fazer melhor uso do 13º salário e da participação nos resultados’’. Sobre a possibilidade de a Ford fazer um acordo nos moldes da Volkswagen, que reduziu benefícios para não demitir, Marino disse que ‘‘a Volkswagen deve estar olhando um futuro melhor do que a Ford’’.
Em 1997 a Ford produzia 1.100 carros por dia. Não vai passar de 520 nos próximos meses. Segundo Marino, este será o volume máximo em março e em abril também. ‘‘Chegamos a cogitar a média de 1.250 quando modernizamos a fábrica’’, contou. O pior é que para o ano 2000 o quadro não deverá mudar. ‘‘O mercado pode até crescer, mas teremos que dividir o bolo com as novas montadoras’’, disse.

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