O advogado do setor de cobrança da Equipe Atacadista, João Francisco Gonçalves, afirma que alguns bancos credores estão pressionando os clientes da empresa para tentar receber seus débitos antecipadamente, fugindo do sistema normal de pagamento dentro dos prazos estabelecidos na concordata, tecnicamente chamados de quirografário (sem preferência). ''Os bancos têm os boletos escriturais, que geram em seus próprios sistemas e que podem ser objeto de transação comercial'', diz. Segundo ele, os bancos possuem dados suficientes dos clientes da Equipe para emissão dos boletos e o fez na tentativa de receber o que a empresa lhes deve antes dos demais credores.
''Não há documento nenhum que comprove a emissão de duplicatas pela Equipe.'' Gonçalves salienta que os bancos que estão usando desta prática são o Real, Banco Daycoval e BNL. ''Os demais entenderam a situação da Equipe, que está há mais de 30 anos no mercado e sempre pagou suas contas em dia, e aguardam sua vez de receber. A Equipe se sente injustiçada por alguns bancos que sempre tiveram lucro com ela'', comenta. Ainda de acordo com Gonçalves, tem casos de contas que foram pagas no balcão de banco e que estão sendo cobradas novamente. ''Esses bancos têm garantias da empresa nas operações realizadas, sejam de fiança ou aval. O que devem fazer é esperar a concordata e entrar num sistema de recebimento normal. Ele informa que foram feitas reuniões com os bancos para informar sobre a concordata.
A Folha tentou ouvir o Banco Real o contato com os outros dois não foi possível e foi informada pela secretária da diretoria regional que o Real não concede entrevistas.
A equipe tem uma dívida de cerca de R$ 80 milhões e que, de acordo com os prazos estabelecidos na concordata, deve ser paga nos próximos dois anos. A crise da empresa começou há cerca de três anos.

mockup