São Leopoldo - De olho em um mercado de 400 mil micros e pequenas empresas (PMEs), o SAP Labs Latin América inaugurou na última segunda-feira novas instalações, em São Leopoldo (RS), na região metropolitana de Porto Alegre, para ganhar mercado no País. Com investimento de R$ 60 milhões, o segundo prédio tem 9.927 metros quadrados e abre espaço para que a empresa de soluções em desenvolvimento e suporte salte de 566 para 750 funcionários até o fim de 2014.
O SAP Labs atende 4,5 mil PMEs, o que representa 80% dos clientes desde que iniciou operações no Brasil, há 19 anos. O primeiro laboratório, no entanto, foi instalado no País somente em 2006, mas a ampliação já faz da sede a terceira maior das 14 subsidiárias da multinacional alemã.
O presidente da SAP do Sul da América Latina, Diego Dezordan, afirma que apenas 50 mil PMEs têm algum tipo de assistência tecnológica no Brasil, o que mostra o tamanho do mercado a ser conquistado. "Crescemos 48% em negócios de softwares nos primeiros nove meses deste ano."
A instalação do laboratório brasileiro permitiu a aproximação com clientes e parceiros nacionais, o que ajuda a explicar o desenvolvimento da empresa na região. "Gerou proximidade e melhor performance na criação de produtos, o que repercutiu na receita como um todo", completa o vice-presidente de inovação na América Latina, Luís Cesar Verdi.
O foco são serviços para governos, varejo e financeiras. Dezordan conta que o maior portfólio é para comerciantes, com operações que permitem integrar administração e vendas, determinar o comportamento dos clientes e agilizar a tomada de decisões.
Porém, Verdi lembra que a SAP também oferece serviços em outras áreas, como otimização em agronegócios. "Pode facilitar a gestão de commodities agrícolas, pela parte financeira, disponibilidade de grãos no mercado ou riscos associados à compra e à venda em naquele momento", diz.
Outro destaque é a ferramenta SAP Hana, banco de dados de alta velocidade e que permite a atualização em tempo real, por dispositivos móveis ou não. A empresa já fechou contrato com o governo do Rio de Janeiro e negocia com outro estado, que mantém em sigilo. O sistema permite, por exemplo, diagnosticar a incidência de crimes por tipo ou região, simplificar processos administrativos ou facilitar o atendimento em saúde. "Não duvidamos que esse possa ser o motor de crescimento da SAP e que, talvez, os governos passem a ser nosso principal cliente", diz Dezordan.

Atuação
A partir do Brasil, considerado o maior mercado da América Latina, a expectativa é estender experiências e serviços principalmente para México, Colômbia, Chile e Argentina. "Vemos a Colômbia como um país com semelhanças com o Brasil no agronegócio, enquanto Chile e México são avançados no varejo", conta Verdi.
A SAP, cuja sigla original em inglês significa sistemas, aplicativos e produtos em processamento de dados, tem 41 anos no mercado de softwares e aplicativos empresariais. São 75 escritórios de venda pelo mundo, com 248 mil clientes e interferência na vida de 5 milhões de clientes e parceiros.

Quase londrinense
Verdi afirma que Londrina ficou entre as três cidades finalistas na disputa para receber a sede da SAP ainda em 2006. Ele explica que, na época, os critérios levaram em consideração a formação de profissionais, a logística e a menor incidência de empresas do segmento, o que diminuiria o risco de trocas constantes de profissionais. "Acho que foi a colonização alemã que acabou decidindo", diz o vice-presidente. Os investimentos iniciais foram de R$ 41 milhões e a sede fica no parque tecnológico da Unisinos.

O repórter viajou a São Leopoldo a convite da SAP Labs

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