Há apenas nove meses no atual endereço, o escritório de 300 metros quadrados no nono andar de um moderno edifício comercial na Gleba Palhano (zona sul) já ficou pequeno para comportar a demanda por funcionários, que só cresce. As instalações sequer foram concluídas, mas a mudança para um ambiente mais amplo se mostra inevitável. O conjunto comercial, localizado em uma das regiões com o metro quadrado mais caro de Londrina, tem janelões com vista privilegiada para a avenida Ayrton Senna da Silva e decoração moderna, com as paredes cobertas por grafites. Lá, Sérgio Kendy, Mateus Queiroz e Mateus Bragatto, os três sócios, dividem o espaço com outros 80 profissionais. São eles os responsáveis por fazer da The Best Açaí a maior rede de vendas de açaí pelo sistema self-service do país. Um negócio em franca expansão.

A trajetória de sucesso começou há cinco anos, quando os três colegas da faculdade de engenharia civil dividiam o tempo entre o projeto de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), o estágio e o planejamento de alguma atividade que lhes garantisse uma remuneração. Foi quando decidiram abrir em Londrina a primeira loja de açaí no até então inédito modelo self-service, dando início à história da empresa que se tornou uma holding, encerrou 2022 com 200 unidades espalhadas em oito estados, faturamento de R$ 215 milhões e projeção de encerrar 2023 com um crescimento de 60%.

O que levou os estudantes que “mal sabiam fazer um ovo em casa” a ingressarem no ramo da alimentação e construírem juntos um case de sucesso no mundo das franquias foi um conjunto de fatores que, além de um forte senso de oportunidade e da inegável veia empreendedora, incluiu muito planejamento, estratégia, rotina de processos e dados. Por trás de um ambiente jovem e descontraído, há toda uma equipe que trabalha intensa e incansavelmente no cumprimento das metas que a cada dia, estão mais ousadas.

Os sócios começaram do zero, conforme relembra Kendy. Cada um entrou com cerca de R$ 5 mil, sendo parte desse dinheiro emprestada de amigos e parentes. Nos primeiros três meses, o açaí vendido na loja vinha de um fornecedor que fazia a descarga na beira da rodovia. Do caminhão, o produto era transferido para um carro sem refrigeração, conduzido por um dos sócios, e era assim que concluía o percurso até Londrina para ser comercializado na primeira loja da The Best Açaí. Um espaço diminuto, na avenida Juscelino Kubitschek. “A gente entrou como um papel em branco, fazendo o que a gente gostava e achava que tinha sentido”, contou Kendy. No primeiro mês de funcionamento, a loja faturou R$ 12 mil. Hoje, cada loja da rede fatura, em média, R$ 12 mil no dia da inauguração.

Oito meses após a inauguração da primeira unidade, começaram a surgir interessados em abrir uma franquia, algo em que eles ainda não haviam pensado. “Formatamos o nosso modelo, sozinhos, sem consultoria, errando e aprendendo com os erros, e foi aberta a primeira franquia, na avenida Saul Elkind (zona norte). O franqueado, no primeiro mês de operação, vendeu mais que as nossas duas lojas juntas. Foi um enorme sucesso e começaram a aparecer outros interessados.”

A rápida expansão estimulou os sócios a darem passos mais largos. Eles criaram a própria receita e passaram a produzir todo o açaí consumido nas lojas da rede a partir da matéria-prima vinda diretamente do Pará. Da primeira fábrica, no jardim San Conrado (zona leste), saíam 20 caixas ao dia, que abasteciam com açaí e sorvete as cinco lojas existentes na época. Hoje, a fábrica, construída em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), produz diariamente 2,5 mil caixas, entregues nos 200 pontos de venda. A unidade fabril, com 1,9 mil metros quadrados de construção, já está sendo ampliada e terá o dobro do tamanho até setembro, mas o projeto prevê chegar aos sete mil metros quadrados futuramente, com a execução da terceira fase.

Além de comandar uma produção mensal de 550 toneladas de sorvete e açaí, a empresa mantém em Londrina um CD (Centro de Distribuição) de onde saem todos os acompanhamentos não perecíveis vendidos nas lojas da rede, como paçoca, creme de avelã, granola e leite em pó. Para dar conta da logística, a rede opera uma frota de 13 caminhões.

Com 900 metros quadrados, o CD está com a capacidade de armazenamento esgotada e uma nova unidade, com quase o triplo do tamanho atual, será construída. No mesmo local, também irá funcionar a fábrica própria de recheios que deve iniciar as atividades em 2024.

Atualmente, o grupo emprega 300 funcionários, entre os profissionais que atuam no escritório, na fábrica, no centro de distribuição e nas 20 lojas próprias da The Best Açaí. Somando os empregos gerados nas 180 franquias, são cerca de 1,4 mil trabalhadores contratados no total.

Os planos de crescimento deixam claras as pretensões dos sócios, que projetam chegar ao final de 2023 com mais cem lojas, saltando para 300 pontos de venda, e faturamento de R$ 350 milhões. Até a loja de número 200, a escalada foi orgânica, mas a rede começa agora a divulgar mais o seu modelo de negócios com o intuito de prospectar novos clientes. “A gente tem franqueado que abriu oito lojas em menos de três anos. Nossa média é de 2,2 lojas por franqueado. Quem só tem uma unidade é porque acabou de montar. A rede foi crescendo assim”, disse Kendy.

Abrir uma franquia da The Best Açaí requer um investimento inicial a partir de R$ 220 mil, com previsão de retorno de 14 meses, em média. O valor do royalty é fixo, de R$ 1.040 mensais, independente do faturamento do franqueado. “A gente ganha dinheiro com a venda de produtos”, revelou o empresário.

Para Kendy, Queiroz e Bragatto, o sucesso é o resultado do foco e do empenho em traçar e alcançar metas. Compenetrados nos processos, não se deram conta da relevância que haviam conquistado no mercado em tão pouco tempo. “Foi difícil no começo, mas a gente entrou na velocidade de cruzeiro em um dado momento. Foi tão automático que a gente não sentiu aonde chegou”, comentou Kendy.

No meio empresarial, no entanto, os resultados expressivos não passaram despercebidos. Recentemente, a Forbes, a maior e principal revista de economia e negócios do mundo, dedicou um espaço à The Best Açaí, destacando a trajetória dos empreendedores londrinenses. “Mudou a maneira de a gente pensar aqui dentro.”

Grupo encampa outras marcas e avança na expansão do mercado

O trabalho na direção de se consolidar no mercado como uma holding do setor de alimentação levou o grupo The Best a encampar outras marcas de franquia. Os sócios constataram que embora o produto tenha enorme aceitação, em algumas localidades há um limite geográfico que impede a abertura de novas unidades da The Best Açaí. Mas nessas mesmas localidades, há franqueados do grupo com capital para investir, esperando apenas uma boa oportunidade.

Atualmente, a The Best Açaí tem lojas em mais de cem cidades em oito estados. No Paraná, são mais de 70 municípios, em todas as regiões, onde a marca está presente. Esse número, no entanto, é muito dinâmico. Em 2022, o ritmo de abertura de novas lojas era de uma unidade a cada cinco dias. Neste ano, até março, esse intervalo havia diminuído para três dias.

Nesse processo de diversificação do portfólio de negócios, uma das marcas que começa a ser comercializada pelo grupo é a Gracco Burger, que virou franquia há pouco tempo e já conta com seis unidades. A primeira delas foi aberta em Curitiba e a meta para este ano é somar dez hamburguerias até dezembro. “A Gracco Burger não é igual a The Best Açaí, que é altamente escalável e a gente inaugura uma loja em 40 dias. A implantação da Gracco demora quase três meses. Tem processo de chapa, de estrutura, treinamento da equipe e o investimento é muito maior também”, comentou Sérgio Kendy. Embora o prazo médio de retorno seja semelhante à The Best Açaí, calculado em 18 meses, o investimento inicial fica em torno de R$ 450 mil.

O grupo também associou-se à marca Matsuri To Go, delivery londrinense de comida japonesa, e em breve irá retornar com o Pastel do Roberto, empresa inaugurada em 1999, em Maringá (Noroeste), e que se popularizou em Londrina nos anos 2000, com vários quiosques espalhados pela cidade. “A gente vai inaugurar uma loja aqui em Londrina daqui a uns dois meses. Vai começar de novo o Pastel do Roberto.”

“No futuro, seremos uma grande empresa de alimentação que vai compartilhar sistemas e logística. Temos seis unidades da The Best Açaí em Campo Grande (MS). Então, o mesmo caminhão que leva o açaí para lá pode levar o hambúrguer, o molho, o pão. A gente compartilha a mesma estrutura e facilita o crescimento”, planeja o empresário.(S.S.)

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