Empresa de cigarros entra na briga contra pirataria
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domingo, 04 de julho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - A Philip Morris decidiu romper o silêncio dos últimos cinco anos, desde a reestruturação com a qual separou os ativos de tabaco dos alimentos, hoje sob o chapéu da Kraft Foods, e vai atuar este ano em duas frentes.
A primeira frente, que começou a ser testada no início do ano, surpreendeu o mercado: anúncios em mídia nacional alertando consumidores sobre o risco do fumo.
Impedida de anunciar produtos, a empresa pretende continuar a publicar esses anúncios numa relação de transparência visando a evitar processos devido a falta de informação do consumidor quanto aos riscos do tabaco.
A segunda frente é o lançamento, a partir de hoje e, por enquanto, somente no estado de São Paulo, de uma nova marca de cigarros, com tradição no mercado externo, o Next. Só que no País a marca ganha novo design e embalagem de caixinha prateada com bordas arredondadas e uma estratégia agressiva de preço: R$ 2,00.
A diretora de Marketing da Philip Morris, Maria Victoria Bueno, diz que a intenção da empresa é oferecer um produto premium a um preço baixo na tentativa de atingir consumidores que tiveram perda de renda, de ambos os sexos e situados na faixa etária de 25 a 45 anos onde se concentra o forte das vendas de cigarros.
Com faturamento de R$ 1,4 bilhão no País, uma fábrica no Rio Grande do Sul, uma estrutura gráfica e de vendas, além de um portfólio de marcas que inclui Marlboro, L&M, Galaxy, Dallas, Benson & Hedges e Chanceller, a Philip Morris vislumbra ampliar a sua fatia de mercado, hoje de 16% de um total de 140 bilhões de cigarros consumidos por ano no País.
A colombiana Maria Victoria diz que tem ocorrido queda no volume das vendas de empresas formais como a Philip Morris, embora o consumo se mantenha inalterado ao longo dos últimos cinco anos e até apresente crescimento em determinadas regiões do País.
O problema, diz ela, é que ''a pirataria e o contrabando, mais do que ações antitabagistas, têm minado muito os resultados de quem atua na formalidade''.
A executiva da Philip Morris, em sua primeira entrevista, garante que os cigarros clandestinos e sem recolhimento de impostos já respondem por 30% do mercado brasileiro.
Ela não esconde que o Next faz parte de uma estratégia que visa minar produtos clandestinos, oferecendo preço e qualidade, além de uma embalagem mais sofisticada, com relevo e toda prateada, com bordas arredondadas que dificultam a falsificação.


