Empresa de aves Diplomata tem diretoria afastada
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terça-feira, 06 de novembro de 2012
Tássia Kastner <br> Agência Estado 
Porto Alegre - A Justiça do Paraná decidiu afastar a diretoria da empresa de aves Diplomata, em processo de recuperação judicial, por suspeita de transferência de bens a sócios e terceiros. A empresa, com sede em Cascavel, pertence ao deputado federal Alfredo Kaefer (PSDB-PR). Com base em informações trazidas aos autos do processo pelos credores da Diplomata, a juíza de direito substituta Iza Maria Bertola Mazzo, de Cascavel, determinou o afastamento da diretoria e pediu investigação por parte do Ministério Público.
Segundo texto publicado no site do Tribunal de Justiça do Paraná no dia 26 de outubro, Kaefer teria se desfeito de sua participação e deixado a administração da empresa no dia 16 de julho deste ano, às vésperas da distribuição do pedido de recuperação judicial, de acordo com informação fornecida pela Law Debenture Trust Company of New York. A Diplomata foi, a partir de julho, administrada pela esposa de Kaefer, Clarice Roman. O documento também aponta transferências de valores para Clarice Roman e Alfredo Kaefer, o que levou à descapitalização da empresa, de acordo com relatório elaborado por administrador judicial da 3 Vara Cível de Cascavel.
''Veja-se que em 16.07.2012, ou seja, às vésperas da distribuição do pedido de recuperação judicial, o sócio Jacob Alfredo S. Kaefer transferiu todas as suas cotas da empresa Diplomata e deixou sua administração, deixando o cargo para a Sra. Clarice Roman. Contudo, continuou praticando atos de gestão e administração, conforme notificado pela imprensa local, o que configura, ao menos numa análise sumária, manobra societária que melhor deve ser investigada'', aponta a juíza, para determinar o afastamento da diretoria da empresa.
Há a indicação, também apontada pela Law Debenture Trust Company of New York, de que a empresa teria transferido a participação societária do West Side Shopping, primeiro ao casal Kaefer e Clarice Roman, e depois à Vegrand Veículos Casagrande SA, o que, nas palavras da juíza, ''traz indicativo de prejuízo aos credores''.
Ainda de acordo com a juíza, o princípio da recuperação judicial é preservar a empresa, manter empregos e geração de impostos, mas os autos indicam que os pagamentos de salários seguem atrasados e há outras irregularidades ligadas ao trabalho, apontadas por sindicatos e pelo Ministério Público do Trabalho de Xaxim (SC). ''A atuação da diretoria da autora não revela tais objetivos, mas sim a utilização da lei para justificar e suspender pagamentos e criar situação jurídica peculiar, a fim de consumar transferências de patrimônio em prejuízo dos credores, especialmente funcionários e a Receita Pública'', afirma a juíza.
O despacho também aponta duas chamadas para assembleia de credores, a primeira marcada para o dia 23 de novembro e a segunda para 30 de novembro, ainda sem local definido. No pedido de recuperação judicial, as dívidas da companhia somam R$ 400 milhões. Com quatro frigoríficos para abate de aves, três deles no Paraná e um no município de Xaxim (SC), a Diplomata está em recuperação judicial desde a primeira quinzena de agosto, por não ter condições de honrar pagamentos. A crise foi atribuída à alta no preço do milho e do farelo de soja, principais componentes da ração.
Procurado pela reportagem, o deputado federal Alfredo Kaefer rebateu as acusações. ''É um negócio infundado, eu prefiro não me manifestar'', disse. Ele orientou a reportagem a procurar a assessoria de imprensa da Diplomata. A assessoria não atendeu as ligações.


