Empresa busca mão de obra e oferece moradia
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domingo, 06 de fevereiro de 2011
Suzana Inhesta<br>Agência Estado 
São Paulo - A dificuldade em contratar funcionários está levando a gigante do setor de alimentação BRF - Brasil Foods a planejar a construção de 6.100 unidades habitacionais em torno de suas fábricas, um projeto que bem poderia se chamar Minha Fábrica, Minha Vida. A ação revela muito sobre as dificuldades enfrentadas no Brasil em relação ao planejamento urbano, ocupação do solo, e que remonta a história de surgimento de muitas cidades, que nasceram ou porque beiravam estradas de ferro ou porque surgiram ao redor de fábricas de tecidos.
A empresa, que tem mais de quatro mil vagas em aberto no País, diz que seu desafio tem sido o de achar as pessoas e mantê-las na empresa. A competição acirrada entre as indústrias do setor e de outros segmentos da economia está forçando as empresas de aves e suínos a investirem mais para atrair mão de obra. O plano é tocar o projeto junto com os governos locais contando com subsídio parcial. A ideia é construir cerca de 6.100 casas até 2015, sendo 2.000 em Santa Catarina, 1.270 no Rio Grande do Sul, 1.300 em Mato Grosso, 570 em Goiás, 500 em Minas Gerais e 400 no Paraná. A empresa está ampliando um programa testado e aprovado em outras localidades, como em Lucas do Rio Verde (MT), onde subsidia o aluguel de funcionários.
A BRF entende que esses projetos geram custos adicionais, mas não chega a pesar negativamente sobre margens da companhia por conta da contrapartida. Os gastos com as unidades habitacionais acabam compensando os custos e transportes de longa distância e também acarretam ganhos na produtividade desse trabalhador, explica a empresa através de sua área de comunicação. A BRF não abre os números desses custos, mas gastou no terceiro trimestre do ano passado R$ 439,328 milhões em salários, encargos sociais e outros, conforme o demonstrativo do fluxo de caixa do período. A companhia emprega 115 mil funcionários em todo País.
Para o pesquisador da divisão de Aves e Suínos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Marcelo Miele, a concorrência pelos trabalhadores hoje deixa de ser meramente uma questão de salário e extrapola para outras dimensões, como benefícios, transportes e habitação. Ele entende que essa nova dinâmica para atrair mão de obra pode sim acarretar em custos mais elevados em determinados momentos, mas tudo vai depender da estratégia da companhia.
A BRF enfrenta dificuldades para encontrar trabalhadores em vários municípios onde atua, em alguns casos precisa importar funcionários de cidades e até de Estados vizinhos. Das vagas da BRF em aberto, a maior parte está no Sul, com 1.735 postos de trabalho.


