Brasília - Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Cristina Kirchner, da Argentina, recebem no dia 6 de setembro, no Recife (PE), o projeto de uma empresa binacional na área nuclear. Essa instituição não atuará somente no enriquecimento de urânio, como imaginado inicialmente, mas também na produção de radiofármacos, em projetos nas áreas de saúde e agricultura e no desenvolvimento de reatores de pesquisa e tecnologia de materiais. Mas será criada com uma restrição intocável: não abarcará a transferência da tecnologia brasileira de enriquecimento de urânio por centrifugação.
Lançada em fevereiro, essa empreitada comum antecipou-se à definição do novo programa nuclear brasileiro e forçou o governo Lula a travar um ríspido debate interno, ainda sem conclusão. Refratária a qualquer acordo internacional no setor, por temor de ver devassado o segredo da tecnologia que desenvolveu, a Marinha do Brasil informou à reportagem que não participa de parceria nessa área com o governo argentino. ''Não existe qualquer diretriz Brasil-Argentina envolvendo a Marinha do Brasil'', limitou-se a responder o Centro de Comunicação da instituição, sete dias depois de a reportagem ter solicitado uma entrevista.
A cooperação na área nuclear é o sétimo dos 17 tópicos da diretriz Brasil-Argentina assinada por Lula e Cristina no dia 22 de fevereiro para alavancar a relação bilateral. O texto previu a criação de uma comissão de especialistas argentinos e brasileiros - o Comitê Binacional de Energia Nuclear (Coben) - para desenvolver um modelo de reator nuclear de geração de energia elétrica para atender às necessidades dos dois países. Também determinou a criação de uma empresa binacional de enriquecimento de urânio.

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