Curitiba - Depois de uma crise de dois anos no setor agrícola brasileiro, a multinacional Case New Holland (CNH) aposta num crescimento nacional da produção agrícola, refletindo numa melhoria de 10% na produção de tratores e colheitadeiras. Até 2004, o setor de tratores vendia anualmente 28,7 mil unidades. Em 2005, vendeu 18 mil. No ano passado, a venda de tratores foi de 20 mil unidades. ''Foi o início de uma recuperação. Sabemos que o mercado de tratores é cíclico e enfrentamos uma baixa no mercado nacional brasileiro. A tendência agora é voltarmos a crescer'', disse Milton Rêgo, diretor de comunicações da CNH para a América Latina.
O setor de colheitadeiras teve queda também no ano passado. Vendia 5,6 mil unidades no Brasil em 2004, passou para 1,5 mil em 2005 e fechou 2006 com uma venda de 1 mil unidades. A participação da CNH no mercado interno no mesmo período cresceu. Na venda de tratores, a CNH representa 20,6% do mercado nacional. Em colheitadeiras ainda é líder nacional, com 46,4% das vendas internas. Se comparada a participação em 2005, o crescimento foi de 4,5% em tratores e 4% em colheitadeiras.
''A crise nacional de 2005 afetou fundamentalmente o setor de grãos no Brasil - que tradicionalmente era nosso maior cliente. Isso pegou a todos de surpresa. O câmbio ficou insustentável, a seca castigou os estados do Sul que pararam de comprar, os produtores amargaram dívidas'', analisou Francesco Pallaro, vice-presidente comercial e de marketing para a América Latina. Pallaro prevê que as condições agora sejam favoráveis. Entretanto, os reflexos podem ocorrer dentro de duas ou três safras. ''Fomos ao fundo do poço. A tendência agora é melhorar. Sabemos que estamos no lugar certo e que a crise é passageira''.
A CNH apostou em 2006 em novos mercados, até por conta da crise no setor de grãos. Foram conquistados segmentos que antes eram nulos em vendas como laranja, madeira, florestal, celulose, café, cana-de-açúcar e hortifrutigranjeiros. Foram criados departamentos especializados para a busca de novos mercados.
O dirigente da CNH analisou o Plano de Aceleração de Crescimento (PAC) do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o plano não contempla diretamente ao setor. Mas poderá ajudar quando implementar a melhoria da infra-estrutura rodoviária.

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