Empreiteiras negociam dívida com governo
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segunda-feira, 05 de abril de 1999
Vânia Casado 
As empreiteiras que executam obras públicas para o governo estadual estão confiantes numa negociação que poderá se concretizar ainda hoje com a Secretaria dos Transportes, que detém o maior número de obras públicas. A expectativa da Associação Paranaense de Empresários de Obras Públicas - Apeop - é que o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) faça uma oferta de pagamento parcial ou total da dívida, avaliado em R$ 59 milhões, até o final de fevereiro. O presidente da Apeop, Gilberto Piva, disse que a dívida já ultrapassa esse valor com o vencimento de contratos no último dia 31 de março.
Segundo Piva, o DER acenou ontem com a possibilidade de negociação e por isso ele acredita que o governo inicie hoje o pagamento da dívida que tem com as empreiteiras. Piva informou que as negociações estão sendo feitas diretamente com a Secretaria dos Transportes, a pedido da Secretaria da Fazenda, já que a maior parte da dívida corresponde às obras do DER. As empreiteiras estavam esperando ansiosamente pelo dia 5, data definida para quitação das dívidas.
Enquanto o fluxo de pagamentos não é restabelecido, Piva anunciou que 90% das obras contratadas pelo governo já estão paralisadas. Dos 115 contratos firmados para construção do conjunto de rodovias que compõem os Caminhos da Produção e da Educação, 100 estão parados. As obras, contratadas pelas Associações de Pais e Mestres das escolas, referem-se ao Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio Técnico (Proem). Como as associações de pais não conseguem o repasse de recursos oficiais, automaticamente acabam ficando inadimplentes com as construtoras, disse Piva.
Ontem, a Apeop não conseguiu contato com a secretária da Educação, Alcyone Saliba, e com o secretário estadual de Obras, Augusto Canto Neto.
As empreiteiras não têm mais fôlego para tocar as obras, disse Piva. Elas também estão com pagamentos atrasados junto a fornecedores e empregados. Para o empresário, o quadro é desalentador. Por conta da paralisação das obras, cerca de 5,5 mil funcionários foram demitidos. De 30 de outubro a 28 de fevereiro, o quadro de funcionários de 31,5 mil homens foi reduzido para 26 mil.


