Empregos seguram desempenho do varejo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O bom nível de empregos gerados no Paraná mantém o crescimento do comércio varejista. O setor ainda não registrou demissões - no ano o saldo está estável, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego - e levantamentos das associações comerciais demonstram que as vendas se mantêm em alta nas principais cidades-polo do Estado, assim como a inadimplência. Pesquisas indicam ainda que o empresariado se mantém otimista com relação ao desempenho do semestre.
Estatística do Caged aponta que no mês passado a quantidade de vagas no comércio varejista cresceu 0,24% em todo o Estado; no ano o índice é de +0,03%. No total, a geração de empregos cresceu 0,70% no primeiro trimestre. Já em Londrina, no mês passado houve um aumento de 0,25% na oferta de empregos no comércio, enquanto no ano o índice é negativo: -0,70%. No geral, o saldo de ofertas de trabalho ainda é positivo, com um aumento de 1,63% no ano. Em Maringá (Região Noroeste) o cenário se repete.
O comércio até fez cortes de pessoal mas foram abertas novas vagas pelo setor de serviços, indústria e construção civil. ''Houve uma compensação setorial. Os serviços puxaram a economia e mostraram uma reação'', afirma o economista Joilson Dias, coordenador da pesquisa que avalia o índice de confiança do consumidor maringaense. Segundo ele, no primeiro bimestre até foi registrada uma queda no índice de confiança, opinião que já era esperada. No entanto, no último mês o impacto da crise econômica mundial foi minimizado entre os trabalhadores.
Em março cerca de 9% dos consumidores disseram que a crise teve alguma interferência em sua vida. Em fevereiro, o índice havia sido de 14%. ''Os indicadores (do comércio) vão começar a melhorar a partir deste mês devido à entrada da safra e a retomada das contratações na indústria'', avalia Dias. Segundo ele, as vendas de Natal também surpreenderam. Balanço fechado recentemente aponta para um crescimento de 10% no desempenho, enquanto as expectativas iniciais apontavam para um aumento de 8%.
Otimismo
Pesquisa de opinião realizada mensalmente pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) com os empresários mostra que o faturamento dos comerciantes voltou a crescer em março ante fevereiro: 48,1% dos entrevistados afirmaram ter registrado um melhor resultado no último mês. Além disso, no curto prazo 75,7% dos empresários se mostraram otimistas, enquanto apenas 7,1% disseram estar pessimistas. No mês passado 29,8% dos empresários afirmaram que o faturamento cresceu com relação a março de 2008.
Os números do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) - que registra apenas as compras feitas pelo crediário - aponta para um aumento de 3,8% nas consultas em janeiro e fevereiro e 3% em março. O dado aponta que embora a inadimplência tenha subido cerca de 18% no mês passado, comparando com o mesmo período de 2008 (um aumento de 1,12 ponto percentual), também não houve retração no consumo. ''Acendeu a luz amarela, mas os números ainda não são tão ruins. Com o negócio bem administrado e criatividade, os empresários conseguem superar (o crescimento da inadimplência)'', observa o presidente da Acil, Marcelo Cassa.
Ele acrescenta que ano a ano as vendas a prazo têm crescido. ''Ninguém mais compra à vista e, por isso, a inadimplência também cresce. Mas a partir de agora os empresários terão que cobrar juros mais adequados, montar um sistema de cobrança e saber dar crédito'', avalia Cassa. Segundo ele, a tendência é que os números se equalizem e que os índices caiam. ''De forma geral, os números globais são bons até porque o saldo de empregos está positivo. Ainda não estamos em uma situação recessiva'', salienta.


