Curitiba – Durante quase 40 anos, Orlando Mulazani, de 64, trabalhou como projetista mecânico em uma empresa de engenharia. A estabilidade da profissão não resistiu à crise econômica global que desde o ano passado atinge os mercados internacionais. Em outubro, Mulazani e outros companheiros de firma perderam o emprego, vítimas das demissões em massa dos últimos meses.
  ‘‘Agora, estou me sujeitando a mudanças’’, diz Mulazani, referindo-se a sua candidatura a uma vaga de cartazista de supermercado. Na fila, ele é um dos selecionados ao mutirão realizado durante todo o dia de ontem em Curitiba na tentativa de combater a crise com o preenchimento de vagas no comércio e nos setores de alimentos, supermercados e serviços.
  A movimentação, batizada de ‘‘Crise se combate com emprego’’, foi realizada na Agência do Trabalhador de Curitiba e ofereceu 700 vagas – algumas com a promessa de contrato imediato – para entrevistas no local. A iniciativa foi organizada pela Secretaria Estadual de Trabalho, Emprego e Promoção Social e pelo Sistema Nacional de Emprego do Paraná.
  Nove empresas ofereceram postos de trabalho no mutirão. As vagas eram desde padeiro, operador de caixa, repositor, balconista, embalador, fiscal de loja, açougueiro, auxiliar de padaria, servente de limpeza, passando por motoboy, atendente de lanchonete, chegando a vendedor. A maioria delas não exigia experiência prévia e a escolaridade é primeiro grau. Os salários variam entre R$ 460 e R$ 680. A previsão é de que as 700 vagas fossem preenchidas até o fim do dia de ontem e as contratações fechadas até o final dessa semana.
  A iniciativa é uma tentativa de amenizar os efeitos da crise econômica e oferecer vagas – principalmente para funcionários do setor automotivo, um dos mais atingidos pelas demissões em massa. Só em dezembro do ano passado, montadoras como a Case New Holland e a Volvo demitiram, respectivamente, 300 e 430 funcionários. No início do ano, a Renault suspendeu o contrato de mil funcionários por até cinco meses em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). A suspensão, que corresponde à cerca de 30% da mão-de-obra da fábrica, visa evitar demissões.
  Além das vagas oferecidas ontem, a Agência do Trabalhador de Curitiba ainda tem disponível 2.300 vagas indiretas – sem a garantia imediata de contratação. Nenhuma dessas, no entanto, são no setor automobilístico. ‘‘Nesse setor, não há uma vaga. As vagas são no setor da construção civil e de serviços’’, diz Elaine Ribeiro, Gerente da Agência do Trabalhador de Curitiba.

mockup