Empregos migraram do setor industrial para o de serviço
Passados quase 10 anos da grande euforia que levou milhares de descendentes de japoneses a regressar ao seu país de origem, os dekasseguis sentem mais do que nunca os efeitos da crise das nações asiáticas e os efeitos da globalização. O Japão, segunda maior economia mundial, não é mais o mesmo depois do grande abalo de suas finanças em outubro do ano passado. Soma-se a isso ainda o fato de que os grandes mercados do mundo encontram-se igualmente recessivos, o que implica menos negócios internacionais. As megaindústrias japoneses dos setores automobilístico e de eletroeletrônicos, diante de mercados retraídos, freiaram a produção.
Hoje o setor que mais emprega mão-de-obra brasileira é o da prestação de serviços, afirma Alberto Anami, da Yoshida Tur, tradicional agência de viagens de Londrina. Segundo Anami, no começo do fenômeno que levou, segundo estimativas, 220 mil brasileiros a arriscarem a sorte em terras japonesas, os setores que mais empregavam eram justamente o automobilístico e o de eletroeletrônicos.
Além do aumento da demanda de emprego no setor de serviços, os dekasseguis tiveram de se adaptar à uma nova realidade. Os salários tiveram redução porque o volume de horas extras também teve de ser cortado. De acordo com Anami, a média salarial atualmente é de 1,3 mil ienes/hora para homens e 1 mil ienes/hora para as mulheres.
Outra modificação recente é que as empresas passaram a exigir conhecimento da língua japonesa para os candidatos ao emprego. Enfim, a competitividade cada vez mais exigida de trabalhadores de todos os setores, também está presente numa modalidade de emprego que surgiu exatamente como uma oportunidade para o brasileiro que queria fugir da crise de seu País.
Para o vereador de Londrina Roberto Kanashiro, que participou do movimento S.O.S. Dekassegui lançado pela Folha de Londrina/Folha do Paraná, em que pese a crise mundial, sempre haverá espaço para os estrangeiros interessados em trabalhar no Japão. A população de lá está envelhecendo e por isso existe a necessidade de importar mão-de-obra, afirma Kanashiro. Segundo ele, as famílias japonesas têm no máximo um filho. Além disso, a qualidade de vida do País garante longevidade para sua população. Segundo o vereador, os brasileiros que não deixaram despesas para traz estão conseguindo fazer sua poupança. Ele exemplifica com o caso de um casal de dekasseguis. Metade da renda da família será consumida pelas despesas de manutenção. A outra parte será destinada à reserva. Atualmente praticamente não existem mais as horas extras, por isso é importante fazer as contas antes, afirma. Ainda de acordo com Kanashiro, dos 1,35 milhão de descendentes e imigrantes japoneses existentes no Brasil, aproximadamente 220 mil voltaram à terra de seus ancestrais nos últimos anos para buscar o que faltava aqui: oportunidade de trabalho.(P.L.)





