Brasília- O nível de emprego com carteira assinada voltou a crescer em outubro, com a abertura de 118.175 vagas. Foi um resultado menor do que os 189.458 empregos criados em setembro, mas ainda assim representou um aumento de 0,45% no estoque total de empregados com carteira assinada no País, que é algo da ordem de 26 milhões. A perda no fôlego da abertura de vagas em outubro é explicada pelo comportamento da indústria, que já produziu o necessário para as vendas de fim de ano e agora está desacelerando a produção. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, acredita que deve ocorrer o fechamento de 300 mil vagas em dezembro.
Se a previsão se confirmar, o ano de 2005 deve fechar com cerca de 1,2 milhão de novos empregos formais. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostra que de janeiro a outubro foi aberto 1,526 milhão de vagas, o que representa um aumento de 6,2% em relação ao número de empregos com carteira assinada existentes no início do ano. No acumulado dos últimos 12 meses, o número cai para 1,253 milhão.
Marinho lembrou que o fechamento de vagas no final do ano é um movimento normal. De janeiro até outubro do ano passado, por exemplo, 1,796 milhão postos de trabalho tinham sido abertos, mas 2004 fechou com crescimento de 1,523 milhão de empregos com carteira assinada. Em dezembro de 2004, foram demitidos 352.093 trabalhadores.
O ministro acredita, no entanto, que em 2006 deverá haver uma retomada nas contratações no mercado de trabalho formal. Ele prevê que, no próximo ano, deverá repetir-se o ciclo ocorrido em 2004, ano em que o Caged teve seu melhor resultado.
Segundo Marinho, no fim de 2003 foi iniciado um processo de queda dos juros que possibilitou o crescimento econômico de 2004. Agora, no fim de 2005, está se registrando um movimento parecido, com retomada dos cortes da Selic, e isso deverá refletir-se em 2006. O ministro acredita que, mesmo sendo um ano eleitoral, 2006 não deve ter ''o mesmo nervosismo'' que ocorreu na eleição presidencial de 2002.
O setor de serviços continuou liderando o ranking de setores que mais criaram empregos em outubro, com 57.441 vagas. Já o comércio mereceu destaque porque obteve o melhor resultado deste ano, com a criação de 49.046 empregos.
A recuperação mais forte ocorreu na construção civil, que teve uma expansão de 11.070 postos, na comparação com apenas 1.299 vagas em outubro de 2004. A indústria de transformação teve um acréscimo de vagas que foi praticamente a metade do registrado em outubro do ano passado. Foram criados 26.338 empregos.
O setor agropecuário voltou a demitir em outubro (28.746) por causa da entressafra na Região Centro-Sul. Marinho disse, no entanto, que isso não chega a ser preocupante. A descoberta de foco de febre aftosa, disse o ministro, deve ser responsável pelo fechamento de aproximadamente 2 mil vagas.
Marinho fez questão de reforçar a comparação do desempenho do mercado de trabalho no governo Lula e na gestão anterior. Nos oito anos de governo FHC, disse, a média mensal de criação de empregos formais foi de 8.302, enquanto no atual governo é de 108.693.

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