Carmem Murara
Depois de sete meses de fechamento nos postos de trabalho, o nível emprego formal paranaense dá sinais de recuperação, completando o mês de abril com um saldo positivo de 0,45% sobre março. O crescimento representa a geração de 5,9 mil vagas em todo os segmentos da economia, sendo que a maioria foi no setor agropecuário. Entre o número de pessoas que perderam o emprego e os que foram contratados na agricultura, o saldo foi positivo em 4,9%.
A geração de emprego com carteira assinada no segmento agrícola se deve em parte ao aumento da área plantada no Estado, que teve um incremento de 6,43% sobre 1998, e também ao início da colheita de algumas culturas como a cana-de-açúcar e a comercialização da soja. Houve ainda a desvalorização cambial, que melhorou as exportações agrícolas, promovendo de maneira indireta a contratação de mais empregos.
Por tradição, os meses de março, abril, maio e junho são períodos favoráveis à contratação de pessoal, segundo avaliação feita ontem pelos economistas do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), em Curitiba. A prova está no fato de todos os demais Estados também terem gerado emprego. Em São Paulo, o crescimento foi de 0,69%, em abril sobre março. Em segundo lugar ficou Minas Gerais com 0,51% e em seguida o Paraná. Apenas o Rio de Janeiro teve redução na oferta de emprego formal, com fechamento de 3 mil postos de trabalho, o que representou queda de 0,1%.
Ao contrário do Paraná, nos demais Estados foi a indústria de transformação que mais contribuiu para a abertura de vagas de trabalho, com uma participação média de 0,5% em São Paulo. A média nacional do nível de emprego foi positiva em 0,29.
‘‘Os dados positivos tanto no Paraná quanto no restante do País demonstram que a crise econômica amenizou’’, afirmou ontem o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Ele ressaltou que, em fevereiro, quando o Brasil recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), o governo previu que haveria um aumento da recessão.
No balanço anual ou na comparação dos últimos 12 meses o País e o Paraná ainda amargam um resultado negativo na geração de emprego formal. O saldo negativo dos quatro primeiros meses é de 0,79% e de maio do ano passado até abril deste ano foram perdidos 52,9 mil postos de trabalho, o que significa uma redução de 3,8%.

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