A crise asiática, aliada ao aumento das taxas de juros no mercado interno e às expectativas da indústria, de queda das vendas no final de ano, fizeram com que o nível de emprego formal caísse vertiginosamente em novembro e dezembro. Depois de manter alta até outubro, em dezembro a queda no número de postos de trabalho foi de 335.646, bem superior ao número de dezembro de 1996 (280.213), segundo dados divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho. No acumulado do ano, porém, a situação melhorou. O número de postos de trabalho perdidos foi de 35.731 contra os 271.298 perdidos em 96.
Segundo o secretário de Políticas de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, Daniel de Oliveira, os dados de 97 poderiam ter sido melhores, com pequena recuperação do nível de emprego formal, se não fossem os dois últimos meses do ano. Oliveira avalia que a indústria de transformação, especialmente o segmento de vestuário, calçados e alimentos, errou feio na sua previsão pessimista.
‘‘Eles diminuíram rapidamente a produção e dispensaram mais pessoal do que precisavam para atravessar a crise’’, destacou o secretário. Segundo Oliveira, agora o setor está precisando repor rapidamente seus estoques e, para isso, está contratando trabalhadores.
No ano passado, pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), a perda maior de emprego foi na indústria de transformação. O número de postos de trabalho perdidos neste segmento foi de 133.148.
Em 97, de acordo com Oliveira, também ficou claro que o pior desempenho ficou para as regiões metropolitanas, especialmente São Paulo, enquanto no interior do País o nível de emprego até cresceu. Só no mês de dezembro, São Paulo foi responsável por quase a metade do número total de postos de trabalho perdidos. O Estado, sozinho, perdeu 164.536 postos de trabalho, enquanto o País perdia 335.646. No acumulado do ano a situação não é diferente. São Paulo perdeu 43.839, sendo que o resultado global no Brasil foi de perda de 35.731 postos de trabalho.

mockup