Emprego temporário pode cair pela metade
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quinta-feira, 25 de setembro de 2003
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Londrina pode ter sua oferta de vagas de empregos temporários reduzida em até 50% este ano, devido à estagnação da economia do País. A estimativa foi feita ontem por administradores de agências de emprego da cidade, que aguardam os meses de outubro e novembro para confirmar a queda nas vagas de emprego, gerados nessa época pela movimentação da indústria e comércio em torno do Natal e do recebimento dos abonos trabalhistas.
As vagas temporárias geradas pelo comércio em Londrina empregam habitualmente cerca de 1.500 pessoas, com salários médios que variam entre R$ 350,00 e R$ 450,00. Mas segundo Jenifer Ligmanovski, psicóloga e coordenadora técnica de seleção da Capital Humano, agência de empregos londrinense, a baixa demanda enfrentada pelo setor pode reduzir essas vagas pela metade. ''A oferta de empregos melhorou de agosto para cá, mas acredito em uma redução de 50% nas vagas em 2003, comparado ao ano passado'', explica Jenifer.
Na opinião de Silvio Lopes, Diretor da Labor, o mercado vem adiando cada vez mais os períodos de contratações temporárias, à espera das melhoras econômicas prometidas pelo governo federal. ''Todos estamos esperando uma reação entre novembro e dezembro. Mas a indústria, que é a primeira a contratar para atender à demanda de encomendas, ainda não se mexeu. Por isso, acho que as lojas vão promover as contratações de forma mais lenta que em outros anos, de acordo com as necessidades''.
A filial de uma loja de departamentos em Londrina, por exemplo, está estudando com cautela a necessidade de contratações temporárias para o final do ano. Carlos Roberto de Júlio, gerente da loja, conta que normalmente são contratadas 20 pessoas para diversos setores. E mesmo apresentando evolução de 15% no faturamento com relação ao ano passado, as contratações devem diminuir. ''Crescemos abaixo do planejado. Por isso vamos contratar somente o suficiente para manter o padrão de atendimento''.
Outro problema enfrentado pelos trabalhadores temporários, para Lopes, é a informalidade. ''Mais da metade do pessoal contratado para as festas de final de ano é informal. Isso pode gerar muitos problemas para os pequenos empresários, que podem ter que enfrentar multas do Ministério do Trabalho''.
Somente o Sine (Agência do Trabalhador de Londrina) prevê oferta de empregos de final de ano maior do que em 2002. Segundo o gerente da agência, Mauro Viecili, houve registro de redução de vagas de emprego em março e abril, mas a economia da cidade já começou a se recuperar. ''Estamos vindo de um período ruim, mas Londrina ainda apresenta desempenho melhor do que o restante do País'', afirma.
Viecili não soube precisar a quantidade de empregos temporários oferecidos pelo Sine, pois segundo ele as vagas são registradas da mesma forma que os empregos normais. Porém, empregos como o de costureira (setor diretamente envolvido com o aumento da produção industrial de fim de ano) e açougueiro sofrem com a falta de mão de obra.


