Emprego, renda e crédito vão sustentar economia
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quinta-feira, 26 de julho de 2007
Adriana Fernandes e Fabio Graner<br>Agência Estado 
Brasília - Os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avaliam na ata da última reunião, divulgada ontem, que a expansão do nível de emprego, da renda dos brasileiros e do crédito continuará impulsionando a atividade econômica ao longo dos próximos meses.
De acordo com o documento, os gastos do governo também permanecem contribuindo para esse avanço da atividade econômica: ''A esses fatores devem ser acrescidos os efeitos da expansão das transferências governamentais e de outros impulsos fiscais ocorridos no primeiro semestre e esperados para os próximos trimestres''. O último encontro do Copom ocorreu na semana passada, quando a Selic foi reduzida em meio ponto para 11,50% ao ano.
Na avaliação dos participantes do comitê, os efeitos defasados dos cortes de juros sobre a demanda agregada, que ''já cresce a taxas robustas'', se somarão a outros fatores para o crescimento da atividade econômica. ''Essas considerações se tornam ainda mais relevantes quando se levam em conta nítidos sinais de demanda aquecida e o fato de que as decisões de política monetária terão efeitos limitados sobre 2007, e passarão a ter impactos predominantemente sobre 2008'', afirma a ata.
Inflação - O BC informa na ata que a projeção de inflação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano teve uma elevação em relação à estimativa feita na reunião de junho. O documento não traz o valor da nova estimativa, mas afirma que a previsão permanece abaixo do centro da meta de 4,5% fixada para este ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Nesse cenário de referência para a inflação, foi levado em consideração a manutenção das taxas Selic em 12% ao ano e de câmbio em R$ 1,90 por dólar. Já a projeção de inflação para 2008 teve redução.
No cenário de mercado, traçado com base em trajetória de juros e câmbio projetada pelos analistas do mercado financeiro, a estimativa de inflação para o IPCA também teve elevação em comparação a junho, mas continua inferior ao centro da meta. Para 2008, a projeção de IPCA no cenário de mercado teve queda.
Gasolina - O Banco Central já admite, na análise das projeções de inflação, que é possível um aumento no preço da gasolina neste ano. Na avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom), manifestada na ata, o cenário que prevê preços de gasolina inalterados em 2007 ''poderia se tornar menos plausível'' no caso de persistirem as tendências observadas nas últimas semanas no mercado internacional do petróleo.
O documento destaca que o preço do petróleo subiu de forma relevante desde o encontro do Copom do início de junho, mostrando acentuada volatilidade. ''De um lado, esse comportamento reflete mudanças estruturais no mercado energético mundial e, de outro, episódios recorrentes de incerteza geopolítica''. O comitê, apesar de admitir que ''poderia se tornar menos plausível'' a manutenção do cenário de preços da gasolina inalterados em 2007, mantém essa previsão.
A ata destaca, ainda, que os preços internacionais do petróleo se transmitem, ''inexoravelmente'', à economia doméstica por meio, por exemplo, de cadeias produtivas, como a petroquímica, e também pelo impacto que acabam produzindo nas expectativas de inflação dos agentes econômicos.
Para a energia, o documento informa que a projeção do BC para o reajuste da energia elétrica passou de queda de 0,9% para recuo de 3,6% em 2007. Para a telefonia fixa, a autoridade monetária manteve a estimativa de alta de 3,3% para este ano.
O documento do BC destaca que apesar da incerteza sobre a continuidade da expansão da economia mundial, nos últimos anos, e das perspectivas de aumento nos juros em importantes economias, além da elevação da volatilidade dos mercados globais, ''o cenário externo continua favorável''.
O BC também avalia que o balanço de pagamentos brasileiro ''deve permanecer tendo desempenho robusto'', mantendo as perspectivas para trajetórias da inflação ''benignas''. ''Tal como nas reuniões recentes, o Copom enfatiza que o principal desafio da política monetária nesse contexto é garantir a consolidação dos desenvolvimentos favoráveis que se antecipam para o futuro''.


