Carmem Murara
De Curitiba
O Paraná fechou o ano de 1999 com redução de 1,24% no número de empregos formais, o que representou a eliminação de 16.649 postos de trabalho de janeiro a dezembro. A variação foi provocada principalmente pelo enxugamento no quadro de pessoal de grandes empresas estatais como Banestado e Sanepar e de empresas privadas como a Telepar e Philip Morris. A variação fez com que Curitiba apresentasse a maior queda no nível de emprego entre as três capitais da Região Sul.
Os dados foram divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), com base no Cadastro Geral de Emprego e Desemprego do Ministério do Trabalho. Os números dizem respeito apenas a quem trabalha com carteira assinada, não contabilizando quem vive da economia informal e dos serviços terceirizados, que crescem a cada ano. Muitos empregados estão migrando para a terceirização.
Os setores que mais demitiram trabalhadores foram a construção civil com redução de 10,2 mil pessoas, a agricultura com 8,6 mil e a indústria da alimentação com 4 mil. O relatório do Dieese aponta que a queda na construção civil é reflexo do desaquecimento da economia e da inadimplência do governo junto às empreiteiras.
No caso da agropecuária, houve aumento de 7% na produção de grãos e queda de 10% no nível de emprego, o que resulta num aumento de produtividade que ficou em 4,6%. Plantou-se mais com menos mão-de-obra, no Paraná. Houve ainda redução da área plantada de culturas que exigem maior número de trabalhadores, entre elas algodão, fumo, batata e as safras de inverno. O índice de mecanização cresceu 11,5% entre 95 e 98.
‘‘A indústria de alimentação teve uma demissão mais pulverizada’’, informou o economista do Dieese, Cid Cordeiro. Ele avalia que a redução de poder de compra da população levou as empresas a produzirem menos e, como consequência direta, demitirem mais.
Os setores que geraram mais empregos durante 99 foram o de Madeira e Mobiliário com geração de 6,5 mil trabalhadores e Material de Transportes com 2,7 mil contratações. ‘‘Isto pode ser um reflexo direto dos novos investimentos no Estado’’, afirmou Cordeiro. Ele disse ainda que as montadoras e todo o setor automotivo continuam sendo os grandes responsáveis por puxar para cima a geração de emprego. No setor de madeira empresas como a Tafisa, que produz placas de MDF em Piên, impulsionaram a geração de empregos.

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