Emprego puxa retomada da economia paranaense
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A trajetória recente dos principais indicadores regionais comprovam o início de um novo ciclo de crescimento na economia brasileira a partir do final do ano passado, quando o País começou a mostrar os indicativos de que estava conseguindo se livrar dos efeitos da crise mundial. O crescimento da demanda interna e, em menor escala, a retomada gradual da atividade econômica mundial colaboraram para esses resultados positivos. Ao mesmo tempo, no entanto, essa retomada vem acompanhada pelo recrudescimento das pressões inflacionárias.
A análise é do Banco Central (BC), que apresentou ontem, em Curitiba, seu Boletim Regional, uma publicação trimestral, que apresenta as condições da economia por regiões do País, a partir de dados e indicadores econômicos. Apesar de alerta para possível aumento da inflação, o Diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, limitou-se a falar sobre os dados do relatório, e não quis fazer nenhum comentário sobre mudanças nas metas inflacionárias do BC para 2010, possibilidades de aumento nas taxas de juros ou sobre projeções de crescimento econômico para 2010. tar sobre fez nenhuma.
A retomada de crescimento ocorre em todo País, mas é sentida de maneira distinta nas regiões. Evolução do Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) do BC, mostra que o Paraná teve um crescimento forte em 2007 (7,3%) e 2008 (6,7%), com retração em 2009 (-0,7%). Segundo Mesquita, o Paraná sofreu um forte impacto da crise, em 2009, principalmente por conta da forte presença do comércio exterior na região, a retração de crédito e, ainda, a queda na safra agrícola causada por problemas climáticos.
Ao contrário do restante do País, onde o pior momento da crise foi em fevereiro de 2009, o Paraná teve um efeito tardio, com piores desempenhos em junho. No segundo semestre, no entanto, já houve uma reversão desse quadro, e em novembro, pela primeira vez o IBCR superou em 0,5% o índice de setembro/2008, início da crise.
Acompanhando o padrão nacional, a recuperação da economia na Região Sul, segundo o relatório, ''vem sendo sustentada pelo desempenho das atividades industrial e varejista, em ambiente de crescimento de massa salarial, expansão das operações de crédito e, até recentemente, retração nas taxas de inflação''. Nesse cenário, o IBCR da região apresentou elevação de 2,8% no trimestre encerrado em novembro, em relação ao finalizado em agosto, quando expandiu 1,6% sobre o trimestre anterior.
No Paraná, a produção industrial cresceu 6% no trimestre encerrado em novembro, em relação ao finalizado em agosto, quando registrara um recuo de 3,8%. Entre as 14 atividades pesquisadas, 11 registraram resultados positivos, com destaque para veículos automotores (23,8%) e edição e impressão (16,1%).
Considerados períodos de doze meses, a produção da indústria no Estado, em trajetória declinante desde outubro de 2008, decresceu 4,4% em novembro, em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, com ênfase nas setores de veículos, que caiu 32,6%, máquinas e equipamentos (-15,6%), madeira (-22,1%) e alimentos (-4,7%). O mau desempenho, no caso dos veículos e madeiras; e da queda na atividade agropecuária, para o setor de alimentos e máquinas.
Por outro lado, o Paraná apresenta números de emprego e massa salarial que podem contribuir para a retomada da economia. Segundo dados do Ministério do Trabalho, foram criados 43,2 mil postos de trabalho no Estado no trimestre encerrado em novembro contra 27,3 mil no finalizado em agosto, e 23,2 mil em igual período de 2008. A taxa de desemprego também diminuiu.
A expectativa para o Paraná, asim como para o restante do País, segundo Mesquita, é de consolidação da retomada econômica nos próximos meses. Além do aumento da massa salarial, intensificação das operações de crédito e retomada da atividade industrial, outros fatores que contribuem para projeções otimistas são a recuperação do setor agrícola este ano e os indicativos de superação da recessão nas principais economias mundiais.


