Quando foi reeleito o presidente Luiz Inácio Lula da Silva garantiu que o Brasil veria o ''Espetáculo de Crescimento''. Naquele momento, pelo menos foi o que entendeu a população, ele referia-se ao crescimento econômico. O crescimento econômico nos últimos anos, como se sabe, não chegou a 3,3%. Por outro lado o governo patrocinou um verdadeiro ''espetáculo de crescimento'' nas contas públicas, boa parte devido ao aumento significativo de funcionários públicos.
Em quatro anos o presidente Lula autorizou a contratação de 22 mil funcionários sem concurso público e outros 81 mil concursados. Ou seja, a folha de pagamento foi inflada com 103 mil novos contracheques. Como governo não cria riquezas, a conta ficará nas mãos dos contribuintes que vão ter que colocar a mão no bolso para pagar os salários de todas estas pessoas.
Parece muito, mas pode piorar. O governo prevê a contratação de mais 29 mil servidores que vão gerar um custo adicional de mais R$ 3,5 bilhões. O presidente do Sescap-Ldr, José Joaquim Martins Ribeiro, afirma que esta festa de contratações e apadrinhamentos afetam diretamente a economia e as empresas privadas pois são elas, no final das contas, que irão desembolsar mais impostos para manter a máquina governamental.
''A desculpa do governo é que eles querem melhorar os serviços públicos. Ora, há quanto tempo nós ouvimos isso? O IPVA foi criado para melhorar as estradas. Mas não é o que acontece, e o governo terceirizou os pedágios criando mais despesas para as empresas. A CPMF foi inventada para resolver os problemas da Sa© úde. Mas hoje, apenas uma parcela do que é arrecadado vai para o setor que continua igual ou pior do que era antes. A pergunta é: até quando o governo vai apertar o pescoço da galinha de ovos de ouro que são as empresas?'', questiona Ribeiro.
Segundo previsão do próprio governo, as despesas com o funcionalismo vão crescer 10,8%, enquanto que a inflação projetada para o período é de 4%. Não há como a conta bater. Pior do que isso é lembrar que, nos últimos dez anos, as despesas com pessoal cresceram, já descontada toda a inflação do período, de 27% no Executivo, de 88% no Legislativo e em 127% no Judiciário.
O presidente do Sescap-Ldr diz que o governo precisa entender que as empresas, além de ter um papel fundamental na geração de riquezas, são as responsáveis pela criação de empregos e renda. ''As empresas são as responsáveis pela redistribuição de renda. Isto sim é um trabalho social. Quanto mais o governo cria novos empregos públicos e mantém uma máquina ineficiente, mais as empresas privadas sofrem com os aumentos de impostos necessários para suprir as despesas do governo'', afirma Ribeiro.
Para ele, um dos piores problemas no serviço público é a estabilidade no emprego que ''acomoda'' o servidor. O empresário Lindomar dos Santos concorda e diz que é praticamente impossível no Brasil uma gestão pública eficiente. ''Percebemos que no serviço público muitas pessoas não têm compromisso com as atividades que exercem. Como não podem ser demitidas por causa da estabilidade no emprego, a máquina administrativa emperra''.
Lindomar comenta também o fato de que mesmo com a desburocratização de vários procedimentos, o que deveria reduzir o quadro de pessoal, já que diminui o trabalho, não acontece. ''Veja, as agências de renda de Apucarana e Arapongas foram fechadas. Com as inovações tecnológicas não havia mais necessidade de manter uma estrutura física nestas cidades. Porém, nenhum dos funcionários poderá ser demitido'', diz Santos.

Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr)

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