Emprego na Indústria tem maior queda desde 2003
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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Andréa Bertoldi<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O emprego na indústria brasileira teve queda de 0,6% em novembro de 2008 comparado com outubro do mesmo ano. Essa foi a maior redução desde outubro de 2003. Na comparação entre novembro de 2008 e novembro de 2007 houve um aumento de 0,4%, mas essa foi a menor taxa desde outubro de 2006. De janeiro a novembro de 2008, o crescimento foi de 2,4%.
Na comparação de novembro de 2008 com o mesmo mês de 2007, houve queda de 1,6% nos empregos gerados no Paraná. Os principais impactos negativos foram verificados nos setores de vestuário (-19%) e madeira (-16,6%). O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, disse que esses setores sofreram mais o impacto da crise financeira porque são exportadores. Segundo ele, a repercussão na queda de emprego no Paraná foi maior porque os segmentos que dependem das exportações são importantes para a economia do Estado. Além de madeira e vestuário, tiveram queda no emprego a indústria de produtos químicos (-18%) e a têxtil (-7,47%).
Ele destacou que, no final de 2007, o setor têxtil e de vestuário representava 13,77% dos empregos industriais do Paraná, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Madeira e mobiliário respondiam por 13,34%. Silva disse ainda que o aumento dos juros e a grande oscilação da taxa de câmbio paralisaram o comércio internacional.
O número de horas pagas teve queda de 1,7% no Brasil em novembro de 2008 comparado com outubro, a maior redução desde o início da pesquisa em janeiro de 2001. Também houve queda de 0,4% em relação a novembro de 2007, mas no acumulado de janeiro a novembro o resultado foi positivo (2,3%).
Segundo informações da pesquisa de emprego do IBGE, as paralisações na produção e a concessão de férias coletivas não planejadas marcaram o setor industrial a partir de outubro e ampliaram-se em novembro. O recuo no número de horas pagas em novembro de 0,4% foi influenciado por perdas em oito dos 14 locais pesquisados. As maiores reduções ocorreram no Nordeste (-2,1%, Santa Catarina (-2,4%) e Paraná (-2,2%). Nas indústrias paranaenses, as maiores quedas ocorreram nos setores de vestuário (-18,4) e madeira (-20,8%).
Em novembro de 2008 comparado com o mês anterior, o valor real da folha de pagamento recuou 2,7% no Brasil. Comparando novembro de 2008 com novembro de 2007, houve aumento de 4,1%. As principais contribuições positivas vieram de São Paulo (4%), Minas Gerais (10,6%) e Paraná (5,1%). Na indústria paranaense destacaram-se as indústrias de máquinas e equipamentos (28,8%) e alimentos e bebidas (8,3%). Por outro lado, madeira teve impacto negativo de 22,8%. Silva lembrou que os setores que demitiram foram os que pagam salários menores como vestuário (R$ 630) e madeira e mobiliário (R$ 807).
O valor da folha de pagamento acumulou 6,3% no ano, com expansão em todos os locais investigados. As maiores influências positivas localizaram-se em São Paulo (7,1%), Minas Gerais (9,6%) e Paraná (8,0%). Os destaques na indústria paranaense foram máquinas e equipamentos (32,3%) e alimentos e bebidas (8,2%).


