Curitiba - O nível de emprego na indústria aumentou 0,6% em fevereiro, na comparação com janeiro, segunda alta consecutiva após expansão semelhante no mês anterior. A pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que em relação a igual período em 2009, houve alta de 0,7%, primeiro resultado positivo desde novembro de 2008. No acumulado dos últimos 12 meses, registrou-se queda de 4,8%.
Para o economista da coordenação de indústria do IBGE, André Macedo, os dados mostram que o mercado de trabalho do setor começa a reagir com mais força ao ''maior dinamismo na produção''.
Ele lembra, porém, que os impactos da crise sobre a ocupação industrial foram tão intensos que, mesmo com os atuais resultados positivos, o nível do emprego no setor ainda remonta a janeiro de 2007. No caso da indústria, o patamar de produção de fevereiro já era similar ao de maio de 2008 e já se aproximava do recorde pré-crise de setembro daquele ano.
Apesar dos estragos provocados pela crise, o mercado de trabalho do setor começa a acelerar o processo de recuperação, na avaliação de Macedo. ''Há de fato um cenário favorável para o emprego no setor industrial'', disse ele, para quem o bom resultado no número de horas pagas mostra que o setor busca adequar a mão-de-obra à elevação do uso da capacidade instalada.
O valor de pagamento dos trabalhadores da indústria cresceu 2,7% em relação a janeiro. Na comparação com fevereiro de 2009, verificou-se aumento de 2,8%. No acumulado em 12 meses, porém houve queda de 2,5%.
Na comparação com igual mês em 2009, o emprego industrial subiu em nove dos 14 locais pesquisados, principalmente, no Ceará (8,5%), na região Nordeste (2,9%) e em São Paulo (1,4%). No Paraná, houve queda de -1,4% pressionada pela redução em alimentos e bebidas (-4,3%).
Entre os setores, houve avanço em 12 dos 18 ramos industriais. As maiores contribuições vieram das produções de papel e gráfica (8,2%), têxtil (4,6%), calçados e couro (3,2%) e alimentos e bebidas (1%). Por outro lado, houve retração entre as produções de madeira (-12,5%) e vestuário (-3,4%).
Nos dois primeiros meses do ano, o emprego ficou negativo (-0,2%), com queda em seis dos 14 locais e em nove dos 18 setores. Minais Gerais (-2,9%), Paraná (-2%), Rio Grande do Sul (-1,8%) e região Norte e Centro-Oeste (-1,6%) exerceram as maiores pressões negativas.
O número de horas pagas aumentou 1,5% em fevereiro. Em relação a fevereiro de 2009, houve alta de 1,6%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, foi constatada retração de 4,8%.
Em relação a fevereiro de 2009, o número de horas pagas registrou avanço em 12 das 14 regiões avaliadas, e em 13 dos 18 ramos. Em termos setoriais, as principais contribuições vieram das indústrias de papel e gráfica (8,6%), meio de transporte (4,9%) e alimentos e bebidas (1,8%).

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