Em 2013, pelo terceiro ano consecutivo, a indústria de transformação em Londrina demitiu mais que contratou. O saldo negativo no ano passado foi de 498 empregos. No triênio, foram subtraídas 618 vagas. Nem mesmo Curitiba, que, em 2013, perdeu 2.662 postos, apresenta saldo negativo quando considerado todo o período. Enquanto isso, cidades como Cascavel e Maringá fazem multiplicar as novas vagas em seus parques industriais.
No ano passado, Cascavel foi a campeã do emprego industrial no Paraná. Dos 15.177 novos postos gerados pelo setor no Estado, 1.128, ou 7,43%, foram criados naquela cidade do Oeste do Paraná. Desde 2011, são 1.562 novos empregos. A segunda que mais gerou vagas na indústria em 2013 foi Maringá. Foram 971. Nos três anos, a soma é de 1.547. Outro destaque do interior é Cianorte, no Noroeste - polo da indústria de confecção. No ano passado, foram geradas 499 vagas na cidade. E, no triênio, 1.345. As informações são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Para o economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Francisco Castro, 2013 foi um ano em que a indústria se fortaleceu no interior. "Calculamos que 83% das vagas criadas pelo setor no ano passado foram para fora da Região Metropolitana de Curitiba", afirma. Segundo ele, esta é a tendência daqui para frente. "A indústria já cresceu quase tudo que podia na capital", justifica.
De acordo com Castro, a agroindústria é responsável pela ampliação do mercado de trabalho em Cascavel e Maringá. "Se a agricultura vai bem, a indústria de alimentos também vai bem. Esse setor tem sido muito importante para o Estado", declara. Questionado sobre o motivo de Londrina estar se desindustrializando, o economista responde que a cidade está se "especializando em serviços".
Apesar disso, também no setor de serviços as duas outras cidades apresentam desempenho melhor. Com 151 mil habitantes a menos que Londrina, Maringá criou mais vagas no setor em 2013. Foram 3.940 contra 3.180. Em números absolutos, Cascavel gerou menos que Londrina. Foram 1.670 novos empregos. Mas, proporcionalmente, o mercado de trabalho no setor de serviços cresceu mais lá: 5,27% contra 4,44%. A cidade do Oeste tem 231 mil habitantes a menos. "A indústria é interessante porque tem um potencial muito grande de repercutir sobre os outros setores", diz o economista do Ipardes.
O presidente da Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic), José Torres Sobrinho, afirma que a cidade vem experimentando um processo de industrialização mais acelerado nos últimos anos. "São pequenas novas indústrias que estão sendo implantadas por empresários daqui mesmo. Não recebemos nenhuma grande de fora no ano passado", declara. Ele informa que a maioria é do setor agroindustrial, mas que outras também vem se desenvolvendo como a Mascarello, fábrica de ônibus fundada há 10 anos. "É uma empresa que está crescendo muito e vendendo para todo o País", afirma.
O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, diz que Londrina ficou muitos anos sem um plano de industrialização e que, apesar dos esforços da atual administração, os resultados demoram a aparecer. "Talvez comecemos a reverter essa curva no próximo ano", declara.
Ele ressalta que a Codel encaminhou ao Legislativo no ano passado 32 projetos de lei para doação de terrenos a empresas, a maior parte delas já instalada em Londrina e que precisa de novo espaço para ampliar as atividades. "Só na área da indústria de transformação, esses projetos visam reter 1.402 empregos e criar outros 880", informa.

Imagem ilustrativa da imagem Emprego na indústria encolhe por três anos consecutivos
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