Curitiba - A evolução do emprego na indústria paranaense ficou abaixo da média nacional em novembro, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O Paraná apresentou crescimento de 2,4% enquanto a média nacional foi de 3%. ''O Estado não sofreu grande impacto durante a crise financeira de 2009, por isso a recuperação agora também não é tão significativa'', avalia o economista Sandro Silva, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
No acumulado de 2010, o Paraná também ficou atrás da média nacional de 3,4%. O índice de emprego na indústria paranaense evoluiu apenas 1,1% de janeiro a novembro de 2010 e 0,73% nos doze meses. Para Silva, os dados mostram que há uma recuperação do setor no Estado, principalmente em setores em que houve aumento nas exportações, o que pode sugerir que a reação a crise de 2009 possa ter sido exagerada. ''Em 2009 muitas indústrias demitiram e reduziram produção antes mesmo do efeito da crise chegar aqui'', aponta.
Houve evolução também na renda do trabalhador paranaense, que foi de 7,45% na folha de pagamento e de 4,92% na folha de pagamento por trabalhador em comparação com novembro de 2009. ''Os sindicatos tem conseguido aumento real para suas categorias, o que contribui para o aumento da massa salarial'', explica.
A notícia, no entanto, não é boa para todas as categorias. No setor de metalúrgica básica, por exemplo, houve aumento no número de trabalhadores contratados de 8,4%, mas a folha de pagamento real sofreu um recuo de 13,1% em relação a novembro de 2009. ''Como houve demissões antes da crise, as recontratações agora se dão pelo salário de início da carreira, menores que os de funcionários que já tinham mais anos de casa'', detalha.
Para o professor de Ciências Econômicas da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Carlos Magno, há também casos de categorias que não conseguiram a reposição da inflação nas últimas negociações salariais ou ainda não fecharam acordos de reajuste com as empresas. Esses fatores também contribuem para a redução da folha, mesmo quando há mais contratações.
Entre os 20 setores pesquisados pelo IBGE, apenas o de madeira apresentou indicadores negativos em todos os índices. ''É uma área que ainda sofre com a crise nos Estados Unidos, principal comprador desse tipo de produto e ainda é prejudicado pelo baixo valor do dólar frente ao real'', diz Magno.

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