Na contramão do Brasil, o Paraná apresentou aumento na taxa de emprego industrial de 1,8% em junho frente o mês anterior de 2011, enquanto a média no País foi negativa em 1,8%. Os setores que mantiveram o Estado em alta foram máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações, com 38,1%, e de alimentos e bebidas, com 5,4%, segundo a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes), divulgada ontem e feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 13 Estados mais a Região Nordeste.
Especialistas apontam que a apatia apresentada pelo empresariado brasileiro diante das medidas governamentais contra a crise econômica mundial causaram a desaceleração do setor. O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirma que a redução de juros e a desoneração de tributos ajudaram, mas que o endividamento do consumidor atrapalhou, tanto que a baixa de junho ante maio foi de 0,2%.
O presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Lourenço, diz que as medidas da União não fizeram com que os empresários investissem em produção, mas apenas estimulassem a redução de produtos estocados. ''Mas enquanto a situação (de crise mundial) durar, é lícito que o setor tome cuidados'', afirma.
No âmbito estadual, a indústria de infraestrutura e tecnologia mantém o Paraná em alta, bem como o setor de agronegócios e de petroquímica, segundo o Ipardes. Lourenço diz que o Estado está entre os três mais importantes do País na produção de base. ''O consumo de eletrodomésticos está aquecido, mas há também mais investimento na infraestrutura do Brasil, que está ultrapassada e teve um boom depois que desengavetaram alguns projetos'', conta.
Ele cita o exemplo da produção de cabos de fibra ótica e componentes eletrônicos como exemplo. ''Um detalhe importante é que 27% dos empregos gerados no Estado foram na indústria, enquanto no Brasil foram 13%.''
Para Zurcher, o talento estadual para o agronegócio é um bom modo de se superar melhor a crise, porque a produção alimentar sofre menos. ''Ninguém deixa de comer.''
Salários
Mesmo com a baixa nos empregos, os salários aumentaram em todo o País. O valor da folha de pagamento real dos trabalhadores da indústria subiu 2,5% em junho na comparação com maio, ajustado sazonalmente. A alta foi a primeira depois de três baixas seguidas, o que levou à perda de 3,4% no período.
No confronto com junho de 2011, o valor da folha de pagamento real cresceu 3,7% no País. Os salários pagos pela indústria paranaense aumentaram 7,9% na mesma base de comparação. O parque industrial do Estado também foi o líder no Brasil em horas trabalhadas, com aumento de 2,1%, enquanto houve redução de 2,6% na média nacional.
O economista da Fiep diz que o Brasil precisa tomar cuidado ao comemorar o aumento de salários. Isso porque o País tem alta carga de tributos sobre a folha de pagamento, o que encarece o produto industrial nacional. Por isso, afirma que a União já coloca em andamento a redução de impostos. ''Temos o custo de produção mais alto do Brics'', diz. Ele se refere ao grupo dos países em desenvolvimento, que são promessa de crescimento, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Emprego na indústria cresce no Paraná e cai no País
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