Curitiba - O forte impacto da crise financeira global sobre a atividade industrial brasileira derrubou o emprego na indústria pela quinta vez consecutiva, com queda de 1,3% em fevereiro ante janeiro. Na comparação com fevereiro do ano passado, o saldo foi ainda pior: o emprego industrial caiu 4,2%, o pior resultado da série histórica da pesquisa, criada em 2001, como revelou a Pesquisa Industrial Mensal: Emprego e Salário, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No Paraná, os números seguiram a tendência nacional e registraram uma queda de 5,68% no índice de pessoal ocupado assalariado do setor em fevereiro, em relação ao mesmo mês de 2008. ''A indústria da madeira e de vestuário, que registraram queda acentuada no nível de emprego, tem participação significativa no estado'', explica o economista Cid Cordeiro, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
''O Estado porém tem sido beneficiado pelo bom desempenho do emprego nos setores de fumo, refino de petróleo e produção de álcool'', aponta o coordenador de Conjuntura do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki. ''Mas no geral o Estado segue a tendência nacional, que é afetada pela demanda internacional que encolheu devido à crise'', avalia.
''Há um quadro de redução generalizada (no emprego) entre os setores industriais'', atestou a economista da Coordenação de Indústria do IBGE, Denise Cordovil. Os dois primeiros meses do ano registraram recordes negativos de queda do emprego industrial. Em janeiro, o recuo foi de 2,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. ''Houve aprofundamento na queda do emprego industrial, que segue 'encolhendo' na indústria, respondendo à redução na atividade'', disse a economista.
Para o coordenador do Departamento de Economia da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Maurílio Schmitt, os dados do IBGE mostram que o mercado de trabalho continua a refletir a crise internacional. ''O que vemos é que há um recuo na indústria, principalmente naqueles setores fortemente atrelados ao mercado internacional que são afetados pela escassez de crédito'', avalia.
''O que tem segurado o efeito da crise no País é o mercado interno que foi favorecido pelo nível dos reajustes salariais celebrados em 2008 que tiveram como patamar uma projeção de inflação de 6%'', aponta. ''Como a inflação corrente está em 3,5% o poder real de compra do consumidor brasileiro está preservado'', explica.
Em fevereiro deste ano, ante igual mês do ano passado, houve quedas no emprego no País nas indústrias de máquinas e equipamentos (-4,1%); meios de transporte (-4,7%); e máquinas e aparelhos eletrônicos e de comunicações (-2,9%). Em setembro do ano passado, esses setores apresentavam altas de 9,9%, 8,2% e 10,0%, respectivamente.
''É importante lembrar que esses mesmos setores eram os que estavam impulsionando o bom desempenho da atividade industrial, até o agravamento da crise'', salientou a técnica do IBGE. Em fevereiro deste ano, também houve taxas negativas de emprego nas indústrias de vestuário (-8,9%); calçados e artigos de couro (-9,6%); e madeira (-14,8%), na comparação com fevereiro do ano passado. ''Esses setores estão entre os que mais empregam, o que aumenta o impacto no resultado geral de fevereiro'', afirmou.
O nível de emprego não foi o único indicador a apresentar queda recorde na pesquisa. O número de horas pagas na indústria caiu 5,7% na comparação com fevereiro do ano passado, também o pior resultado da série. Na comparação com janeiro, o recuo nas horas pagas foi menos intenso, de 0,4%. Já a folha de pagamento real cresceu 1,9% em relação a janeiro, já descontados os efeitos sazonais, o primeiro resultado positivo do índice depois de quatro meses de queda.

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