Emprego na indústria apresenta recuperação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O emprego industrial voltou a crescer no ano passado, após dez anos de queda. Pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta um aumento de 0,6% no emprego industrial em 2000, o primeiro índice positivo desde 1989, quando foi registrado um crescimento de 2,1%.
O Estado de São Paulo acompanhou a tendência nacional e registrou aumento de 0,8% no emprego nas indústrias, também o primeiro indicador de crescimento em dez anos. O economista Paulo Gonzaga, do Departamento de Indústria do IBGE, disse que a recuperação do emprego industrial está diretamente relacionada ao crescimento da produção do setor no ano passado, que atingiu 6,5% na média do País. Outro fator que influenciou o resultado, explica, é que o setor já concluiu o ciclo de enxugamento da mão-de-obra para aumento da produtividade.
Segundo o economista, outro indicador de aquecimento do setor foi a taxa anual de rotatividade (troca de funcionários em relação ao número médio de trabalhadores), que foi de 2% em 2000 (o maior índice desde 1995), contra 1,8% em 1999. Para ele, isso significa que os trabalhadores tiveram mais oportunidades de troca de empregos e de ingresso no mercado de trabalho, o que não ocorre em períodos de recessão.
No que diz respeito ao rendimento, os trabalhadores em geral voltaram a perder uma fatia dos ganhos no ano passado, tanto no emprego industrial quanto de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que engloba outros setores. Na indústria, a massa salarial apresentou queda de 0,5% em 2000, assim como houve queda de 1,1% no salário médio. Segundo o IBGE, houve uma perda real de 4% no salário médio industrial, entre 1998 e 2000.
De acordo com a pesquisa, houve queda de 0,6% no rendimento médio real das pessoas ocupadas em 2000, na comparação com o ano anterior. A queda foi fortemente influenciada pelo comportamento da Região Metropolitana de São Paulo, que apresentou redução de 2% no rendimento no ano passado, no pior desempenho entre as seis regiões pesquisadas pelo IBGE.


