Emprego informal cresce e rendimento cai
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 25 de abril de 2003
Jacqueline Farid<br> Agência Estado 
Rio A informalidade do mercado de trabalho elevou a ocupação e derrubou o rendimento dos trabalhadores em março. O crescimento de 6% no número de ocupados no mês, ante igual período do ano passado, com acréscimo de 1,038 milhão de pessoas trabalhando, ocorreu especialmente por causa do aumento de 9,3% no número de ocupados sem carteira assinada nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de ocupados com carteira cresceu em ritmo bem menor (3,3%). O trabalho informal cresceu em São Paulo.
A taxa de desemprego em março atingiu 12,1%, resultado pouco superior aos 11,6% de fevereiro e considerado como ''estável'' pelos técnicos do IBGE. As variações de maior destaque ocorreram no mercado informal. Houve aumento significativo também no grupo dos trabalhadores por conta própria (que inclui camelôs, ambulantes, profissionais free-lancer, ou seja, todos os que não têm contrato formal de trabalho ou empregados), que cresceu 7% ante março de 2002.
A chefe do departamento de emprego e rendimento do IBGE, Ângela Jorge, destacou que ''há uma informalização no trabalho na média das regiões''. Segundo ela, os dados de março mostram que o mercado de trabalho informal cresceu significativamente, mas ''apenas com o passar do tempo vamos saber se isso ocorreu atipicamente em 2002 ou se vai continuar''.
Na comparação dos dados de março em relação a fevereiro deste ano, o número de ocupados sem carteira assinada cresceu 3,2%, enquanto a ocupação com carteira caiu 1,6%.
Para o economista da PUC-RJ e da Tendências Consultoria José Márcio Camargo, especialista em mercado de trabalho, as reformas Tributária e da Previdência vão aumentar a formalidade no emprego no País a partir do ano que vem, caso sejam aprovadas ainda neste ano. Para ele, o crescimento da informalidade ''deve-se em grande parte à própria legislação'' trabalhista e tributária.
O economista evitou, entretanto, comentar os dados do IBGE como tendência. ''A nova pesquisa de emprego ainda é muito recente e os números estão mudando demais, vamos precisar de mais dados para checar se os resultados mostram tendências do mercado de trabalho'', disse, referindo-se à mudança de metodologia estabelecida pelo instituto a partir da divulgação dos dados do emprego em novembro.
A maior precariedade do mercado de trabalho em março, com aumento do emprego informal, reduziu a renda dos ocupados. Segundo o IBGE, o rendimento médio real habitualmente recebido (sem gratificações) dos trabalhadores caiu 7,2% em março, ante igual mês do ano passado. ''O crescimento da informalidade está refletindo na renda'', disse o gerente da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo Pereira. Na comparação com fevereiro, o rendimento caiu 2%.


