Emprego industrial tem recuperação lenta
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terça-feira, 18 de maio de 2004
Alessandra Saraiva<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - O emprego industrial em março subiu 0,4% sobre fevereiro, terceira alta consecutiva neste tipo de comparação. Mas, apesar dos pequenos avanços constatados desde janeiro na comparação mensal (as duas elevações anteriores foram de 1% e 0,3%), o acompanhamento de longo prazo ainda mostra retração, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Na comparação com março de 2003, houve queda de 0,1%; no acumulado no ano, o recuo foi de 0,7%, e, nos últimos 12 meses, o resultado de março foi de -1%. Para o economista da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo, as estatísticas apontam uma gradativa recuperação do emprego industrial.
Houve recuos bem mais expressivos, na comparação com o resultado de 2003, em janeiro (-1,35%), e em fevereiro (-0,79%). ''Está diminuindo a intensidade da queda no emprego industrial, em comparação com igual mês do ano anterior'', afirmou o Macedo.
Ele observa, porém, que é preocupante o fato de os setores de bens semiduráveis e não-duráveis, que mais dependem da reação do mercado interno, serem justamente os que apresentam piores resultados no emprego industrial.
Em março, as maiores quedas de pessoal ocupado na indústria, ante igual mês de 2003, foram nos segmentos de Vestuário (-9,9%), Papel e Gráfica (-7,3%), Têxtil (-5,8%) e Minerais não-Metálicos (-5,1%). ''Estes setores dependem muito da reação do mercado interno, principalmente Vestuário'', ressaltou.
São Paulo não foi a pior taxa negativa, mas a queda de 0,7% da região em março, ante igual mês do ano passado, foi a que mais influiu no resultado geral porque o Estado emprega cerca de 38% dos trabalhadores da indústria, a maior parcela do País, como lembrou Macedo. Também tiveram grande peso no resultado negativo neste mesmo tipo de comparação as retrações do mercado de trabalho industrial no Rio de Janeiro (-3,9%) e Rio de Grande do Sul (-1,4%).
Folha de pagamento - O menor nível de inflação este ano, aliado ao grande volume de pagamentos de benefícios extras no período, devido aos adiamentos de abonos concedidos no fim do ano, provocou o aumento na folha de pagamento real da indústria, de 11,6% em março ante março do ano passado. ''Houve um ganho de poder aquisitivo devido a estes dois fatores'', disse Macedo.
No acumulado do ano até março, a folha de pagamento real da indústria já subiu 9,1%. Porém, no acumulado dos últimos 12 meses, a folha de pagamento da indústria tem queda de 0,5%. Mas o técnico do IBGE observou que este recuo é menos intenso do que os registrados, no mesmo período de comparação, em janeiro (-3,2%) e fevereiro (-2%). ''Os indicadores acumulados ainda carregam o cenário ruim (de inflação) do ano passado. Conforme o ano de 2004 for avançando, nós teremos resultados (na folha de pagamento industrial) menos negativos e mais positivos'', disse.


