Emprego industrial tem queda de 8,5% sobre 97
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quinta-feira, 25 de junho de 1998
Agência Estado 
O mercado de trabalho na indústria continuou piorando, tanto em relação ao nível de emprego como no que se refere ao salário por trabalhador. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou ontem que o nível de emprego caiu 0,5% em abril sobre a de março, na décima redução consecutiva, e que o recuo foi de 9% em comparação com abril de 1997. No acumulado de janeiro a abril, as perdas chegam a 8,5% em relação ao ano passado. Também no período de 12 meses terminado em abril o indicador foi negativo. A redução foi de 6,7%.
O salário médio por trabalhador, descontada a inflação, igualmente ficou menor, com redução de 0,5% frente a março, mês em que havia mostrado uma ligeira melhora (0,1%). Nas demais bases de comparação, porém, o comportamento do salário por trabalhor manteve-se positivo, com aumento de 3,1% em relação a abril de 97; mesmo percentual (3,1%) no acumulado do ano; e 2,5% em 12 meses.
São Paulo, maior centro industrial do País, permanece sofrendo mais que as outras regiões com a reestruturação do parque fabril brasileiro. Entre março e abril, de acordo com o IBGE, a redução no número de empregos industriais foi mais acentuada em São Paulo, que apresentou retração de 0,7%, por conta dos cortes de postos de trabalho em 12 dos 22 segmentos indutriais abrangidos pela pesquisa do órgão. Os piores resultados na indústria paulista verificaram-se nos setores de minerais não-metálicos (-6%) e mecânico (-3,3%).
Em relação a abril de 97, o nível de emprego na indústria paulista despencou 9,6%; no acumulado do ano, 9,5%; e em 12 meses, 8,4%. Todas as variações, portanto, foram piores que a média nacional. No acumualdo do ano, dos 22 gêneros pesquisados, 21 tiveram cortes de postos de trabalho, em um movimento particularmente agudo na indústria têxtil (-21,3%) e de madeira (-19,9%).
Somente o segmento de mobiliário teve em São Paulo um número de admissões superior ao de demissões no período. Mesmo assim, o crescimento acumulado no emprego deste setor foi de somente 0,3%.
O salário por trabalhador em São Paulo, onde a queda no emprego industrial foi mais intensa, caiu 0,6% de março para abril, isto é, também neste caso para os paulistas a situação foi pior do que a média das demais regiões. A retração atingiu a 13 dos 22 ramos industriais pesquisados. Os salários diminuiram mais para os trabalhadores dos setores de bebidas (-2,7%) e de material de transportes (-2,7%).


