Emprego industrial tem nova queda
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de outubro de 1998
Agência Estado 
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) vai divulgar hoje uma má notícia: o emprego industrial caiu em setembro 0,48%, equivalente ao fechamento de 8.143 vagas apenas no Estado de São Paulo. Em agosto, já haviam sido eliminados 6.986. No ano, 93.500 trabalhadores perderam seus empregos. Em 12 meses, 139 mil. A situação vai piorar em outubro, segundo representantes das centrais sindicais.
O presidente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Paulo Pereira da Silva, disse que assim que o governo anunciar o pacote de medidas com vistas ao ajuste fiscal, os sindicatos da sua central vão reivindicar medidas compensatórias para amenizar a recessão.
Entre as medidas que Paulinho propõe está a concessão de cesta-básica para todos os desempregados que estiverem fazendo cursos de qualificação profissional. A meta do governo é qualificar um milhão de desempregados no ano que vem. Queremos um milhão de cestas-básicas, portanto, disse. O sindicalista também quer que o seguro-desemprego, hoje de no máximo seis meses, passe a valer por nove meses - tempo que o desempregado gasta hoje para conseguir uma nova colocação.
O presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, Heiguiberto Navarro, o Guiba, afirmou que as informações que anda recebendo de sindicatos de todo o País apontam para uma piora substancial da situação nos próximos meses. Lamentavelmente, o número de demissões em outubro será com certeza maior, disse o sindicalista.
Os empresários estavam esperando apenas o fim das eleições para tomar conhecimento das intenções do governo e tomar decisões sobre redução de quadro. Assim, segundo Guiba, a curva da ocupação na indústria deve cair ainda mais, repetindo a performance do ano passado.
Os dados da Fiesp referentes a 1997 mostraram crescimento do desemprego nos meses finais do ano, justamente quando a atividade deveria estar aquecida. A queda de 0,44% em setembro do ano passado foi seguida por novo recuo de 0,55% em outubro, de 0,90% em novembro, chegando ao recorde de redução do nível de emprego de 1,96% em dezembro.
O ministro do Trabalho, Edward Amadeo, disse ontem que a redução do volume de processos que chegam à Justiça do Trabalho envolvendo um único funcionário contra sua empresa poderia contribuir para a geração de empregos. De acordo com Amadeo, que participou da abertura do Seminário Internacional Brasil-Itália sobre o Direito do Trabalho, no auditório do Itamaraty, em Brasília, a legislação trabalhista brasileira privilegia os direitos individuais dos trabalhadores em detrimento dos direitos coletivos, gerando um amplo leque de possibilidade de questionamento judicial. Por isso, muitas empresas sentem-se inseguras em contratar.
De acordo com o ministro, as empresas poderão abrir mais postos de trabalho se houver menos insegurança com relação ao cumprimento das leis e dos contratos de trabalho. O cenário de insegurança, segundo o ministro, decorre do fato de que toda e qualquer cláusula contratual pode ser objeto de reclamação trabalhista. Como exemplo de contribuição do governo para a redução do conflito, Amadeo citou o projeto de lei, já encaminhado ao Congresso Nacional, que cria as comissões prévias de negociação nas empresas com mais de 50 empregados. Nelas, empregados e empregadores tentariam chegar a um acordo, evitando levar conflitos trabalhistas à Justiça.


