Emprego industrial cai 0,7% em julho no País
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quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O emprego na indústria segue em terreno negativo, apesar da melhora da produção em julho. Naquele mês, o total de pessoas ocupadas no setor caiu 0,7% na comparação com junho, já descontados os efeitos típicos de cada período. Foi a quarta taxa negativa consecutiva nessa comparação, acumulando neste período perda de 2,4%. O resultado destoa da expansão de 0,7% da produção de junho para julho. Em relação a julho de 2013, houve retração de 3,6%. Com esse resultado, o emprego na indústria acumula quedas de 2,6% neste ano e 2,2% nos últimos 12 meses encerrados em julho.
No Paraná, o emprego recuou 5,6% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado. Os setores com maiores quedas foram máquinas e aparelhos eletroeletrônicos e de comunicações (-36,5%), outros produtos da indústria de transformação (-13,8%), vestuário (-11,1%) e meios de transporte (-6,7%). No ano, a queda acumulada no emprego no Paraná é de 3,9% e de 2,74% nos últimos 12 meses.
Os dados foram divulgados ontem pelo IBGE. Segundo o instituto, o valor da folha de pagamento real (indicador do rendimento da indústria) caiu 2,9% em relação a junho. Já frente a julho de 2013, a perda foi de 3,4%. Apesar da queda, o rendimento ainda cresce de modo moderado, acumulando alta de 0,6% neste ano e de apenas 0,1% em 12 meses. No Estado, a folha de pagamento real teve queda igual à do Brasil em julho em relação ao mesmo mês do ano passado (3,4%). No acumulado do ano, registrou alta de 1,43% e, nos últimos 12 meses encerrados em julho, leve aumento de 0,12%.
O diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, disse que os índices de queda no emprego mais acentuados no Paraná em relação ao Brasil mostram que a crise industrial chegou ao Estado. Para ele, o resultado no Estado também tem relação com a agroindústria que é muito intensiva em mão de obra. "A crise industrial atingiu primeiro os segmentos mais tecnológicos", disse. Em julho, o setor de alimentos e bebidas - que envolve também a agroindústria - já registrou queda de 0,62% na comparação com o mesmo mês de 2013. "A crise chegou mais tarde no Paraná, mas agora vem com força." Ele não vê melhora do emprego industrial para os próximos meses.
O economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, disse que a indústria do Estado foi afetada também pela crise da Argentina, país que é o segundo parceiro comercial do Estado, depois da China. Ele lembrou que as exportações para o país vizinho caíram há três ou quatro meses. Os principais produtos vendidos do Paraná para os argentinos são veículos, motores, tratores, caminhões e alimentos, que são os mais importantes para o Estado.
Ele acredita que a folha de pagamento real pode tornar-se mais negativa no Estado com o número elevado de demissões. "Isso prejudica o desempenho da economia no futuro com menos pessoas consumindo e mais gente inadimplente o que pode repercutir em comércio e serviços." Ele também não espera melhora do emprego industrial para os próximos meses. (Com agências)


