São Paulo - A indústria acelerou as demissões em junho, mas as dispensas ainda ocorrem em ritmo menor do que a queda na produção industrial. Em junho houve fechamento de 0,5% do total de vagas disponíveis nas fábricas, na comparação com o mês anterior, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o terceiro mês seguido de recuo no emprego. Os dados são dessazonalizados.
A produção industrial, porém, teve queda mais acentuada: de 1,4% em junho, na comparação com maio - quarta redução seguida. A indústria tem sido afetada pela desaceleração econômica no País, calendário apertado pela Copa, e mais recentemente pela crise argentina e seu impacto no setor automotivo. A exportação de veículos brasileiros para a Argentina caiu 36% entre janeiro e julho, segundo o Ministério de Desenvolvimento.
O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) já tinha mostrado que a indústria havia puxado a piora no emprego formal em junho, com fechamento de 28,6 mil postos, seguida pela construção civil (-12 mil) e o comércio (-7 mil). Junho teve o menor saldo de criação de vagas com carteira assinada para esse mês desde 1998.

EMPREGO X PRODUÇÃO
Segundo o IBGE, a indústria já fechou 2,3% das vagas nos primeiros quatro meses deste ano, enquanto a produção diminuiu 2,6%. Na comparação com junho de 2013, o emprego industrial teve redução de 3,1% nas vagas de trabalho, enquanto a produção recuou 6,9%.
Para ajustar o quadro funcional à queda na produção várias empresas preferiram dar férias coletivas a demitir. Foi o caso da Whirpool, dona das marcas Brastemp e Consul de linha branca, que deu férias para um terço dos 15 mil funcionários. A empresa estuda adotar mais férias coletivas até o final do ano. Com isso, o custo unitário da produção tem aumentado.
No ano (até junho), enquanto as demissões foram de 2,3% dos postos, o número de horas pagas recuou mais: 2,9%. Já a folha de pagamento real subiu 1,3%.
A redução nas horas pagas indica que a recuperação do emprego no setor deve demorar a ocorrer. Isso porque as indústrias primeiro trabalham em regime de hora extra quando a produção aumenta, para após contratar. O IBGE observou ainda que a folha de pagamento real teve recuo de 2,4% de maio para junho. Em relação a junho de 2013, a queda foi de 0,3%.

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