Emprego formal tem alta recorde
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quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Jacqueline Farid 
Rio de Janeiro - O emprego formal registrou aumento recorde em agosto, mês em que a taxa de desemprego ficou estagnada em 9,5% nas seis principais regiões metropolitanas do País. O nível da taxa foi o mesmo apurado em julho, mas inferior a agosto do ano passado (10,6%). O rendimento médio real dos trabalhadores teve queda de 0,5% na comparação com o mês anterior, afetado pelo aumento da inflação.
Para o gerente da pesquisa mensal de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, os resultados do mercado de trabalho em agosto são ''muito positivos'', embora a taxa de desemprego tenha ficado inalterada em relação a julho. O argumento é que os postos gerados foram de maior qualidade, com aumento do emprego formal.
O aumento de 2,5% da ocupação com carteira assinada foi o maior apurado pelo IBGE na comparação com mês anterior desde o início da nova série da pesquisa, em março de 2002. Todas as 217 mil vagas criadas em agosto, em relação a julho, foram formais (com carteira de trabalho assinada), segundo Azeredo. Houve um acréscimo significativo no número de empregados com carteira também na comparação com agosto do ano passado (7%, ou 590 mil vagas formais em relação às existentes em agosto de 2006), que só encontrou similar, na série, em maio de 2005 (7,1%).
Azeredo disse que a maior parte dos desocupados nas seis principais regiões metropolitanas do País são jovens e mulheres, que costumam dar uma pausa na procura por trabalho em julho. ''Embora a taxa não tenha caído em relação a julho e a pressão sobre o mercado tenha crescido com o aumento dos desocupados, a ocupação está aumentando, com empregos de qualidade, o que é muito positivo'', disse.
Segundo ele, a pressão dos desocupados sobre o mercado não é negativa, ''pois mostra que o desempenho da economia está atraindo as pessoas'' para a busca de uma vaga. A pesquisa mostra um aumento de 1,9% na desocupação em agosto ante julho, com mais 41 mil pessoas em busca de uma vaga.
A queda de 0,5% na renda média real dos ocupados em agosto, o terceiro recuo consecutivo ante mês anterior, reflete o aumento da inflação. O rendimento calculado na pesquisa é deflacionado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação da camada de renda mais baixa da população, na média das seis regiões. Com a pressão dos preços dos alimentos, o INPC tem registrado aumentos superiores ao IPCA.
Na comparação com agosto do ano passado, o resultado da renda média foi positivo (1,2%), mas foi o pior resultado desde junho de 2005. Para Edgard Pereira, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), esse pequeno crescimento na renda foi o pior resultado em um quadro de dados que ''não foram satisfatórios''. Ele avalia que ''é notória a progressiva desaceleração do aumento real do rendimento nos últimos quatro meses'', o que leva a uma perda de ritmo na evolução do mercado consumidor interno.


