Emprego facilita crediário
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sábado, 29 de março de 2008
Irany Tereza<br> Agência Estado 
Rio -A venda de bens duráveis acumula, desde 2004, crescimento vigoroso, que chega a ultrapassar 185%, como é o caso de equipamentos de informática (computadores e periféricos) e comunicação (incluindo aparelhos celulares). Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), feito a pedido da reportagem, expõe ainda a robustez do aumento das vendas de automóveis (57,3%), móveis e eletrodomésticos (86,6%). Tudo embalado pela facilidade do crédito, que, a partir do mesmo período, iniciou o chamado ''ciclo livre'', em contraposição à base anterior, de crédito direcionado.
O resultado é que o peso do crédito na proporção do Produto Interno Bruto (PIB) subiu, apesar de a renda total do trabalho - mesmo com algum avanço - ter reduzido sua participação na economia de 35% para 30% nos últimos dez anos, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O resultado da equação levou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a considerar a possibilidade de medidas restritivas de crédito para evitar uma eventual inflação de demanda. Recebeu uma saraivada de críticas por todos os lados.
O diretor de macroeconomia do Ipea, João Sicsú, explica a aparente discrepância entre o aumento do crédito acima da elevação da massa salarial por meio de uma lógica empírica. Em pesquisas mensais que desenvolveu a partir de 1995, percebeu que a contratação de crédito pelo consumidor está mais ligada à segurança no emprego e ao que representa a parcela devida no salário do que aos juros cobrados pela venda a prazo.
''As pessoas querem saber se a compra cabe no orçamento. Não estão levando em conta o preço final, bem mais caro. Os juros reais no País ainda são altíssimos, mas o emprego formal está aumentando e há uma perspectiva de estabilidade inflacionária, embora a economia brasileira ainda seja muito jovem em questão de estabilidade'', diz o economista.
Mais do que uma simples opção de pagamento, a compra a crédito passou a ser quase imposta ao consumidor pelo comércio. Vendedores são orientados a parcelar pagamentos a perder de vista e os tradicionais descontos para quitação imediata da compra atualmente se resumem ao desconto da taxa de administração do cartão de crédito.


