Arquivo FolhaDéficit de vagasEm apenas três meses, entre novembro de 97 e janeiro deste ano, o IBGE calculou o corte de 562 mil empregos no País: nesse setor, perspectiva para os próximos meses ainda indica saldos negativosAs perspectivas não são favoráveis para o binômio emprego-salário no quinto ano do Real. A oferta de emprego encolheu desde o início do Real. Uma das razões foi a reestruturação das empresas, pelo aumento da concorrência, a entrada de novas tecnologias e automatização dos processos de produção. O aperto na política fiscal e na política monetária em novembro, como resposta à crise asiática, apenas agravou a situação de crise do emprego.
De acordo com dados do IBGE, entre novembro de 1997 e janeiro deste ano houve a perda de 562.548 postos de trabalho. Nos meses de março e abril, o saldo foi positivo, com a criação de 323.864 vagas. Segundo Sérgio Mendonça, diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), embora possa haver um recuo na taxa de desemprego nos próximos meses, a geração de novos postos é insuficiente para absorver a mão-de-obra disponível.
De acordo com Antônio Correa de Lacerda, coordenador da Comissão de Política Econômica do Conselho Federal de Eonomia, para reduzir acentuadamente o desemprego, o Brasil precisa crescer entre 6% e 7% ao ano, mas esbarra no chamado déficit gêmeo: o fiscal e em conta corrente da balança de pagamentos (essa conta traduz o rombo do País nos compromissos com o exterior, que seria agravado com a importação de insumos, matérias-primas e bens de capital necessários à expansão econômica).
Para os salários, segundo Lacerda, o maior benefício nos quatro primeiros anos do Real foi a queda da inflação. ‘‘Com inflação, não há reposição que compense as perdas.’’ Por conta disso, conforme Mendonça, do Dieese, os dois primeiros anos do plano foram favoráveis ao trabalhador. Em junho de 1994, o rendimento médio do assalariado equivalia a 68,9% do ganho médio no ano de 1985, quando começou a ser feita a pesquisa sobre rendimentos da população pelo convênio Seade-Dieese. Em abril deste ano, o rendimento médio do assalariado em relação ao de 1985 subiu para 70,9%.
Mas para os próximos meses as perspectivas não são nada boas para os salários. Em termos de reajuste salarial, o máximo que os sindicatos devem conseguir é a reposição das perdas pelo repasse da inflação, sem aumento real e sem participação nos lucros e resultados das empresas, que era um ganho extra.

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