São Paulo - Que o ritmo de crescimento das vendas do varejo este ano será menor do que o observado no ano passado, empresários, analistas e mercado não têm dúvida. Afinal, as medidas macroprudenciais implementadas pelo governo e o aumento acumulado este ano de 1,75 ponto porcentual da taxa Selic, para 12,50%, contribuíram no combate da inflação e arrefeceram o consumo do brasileiro. Mas os ganhos salariais e a estabilidade em níveis baixos das taxas de desemprego proporcionam um cenário de otimismo para as vendas do segundo semestre entre as redes varejistas, o que se reflete sobretudo na manutenção dos programas de investimentos destinados à abertura de lojas. O mais provável é que o varejo assista na segunda metade do ano a um pouso suave do ritmo de crescimento.
''Os resultados do segundo trimestre (das varejistas) mostram, em certa medida, que as coisas aos poucos estão desacelerando, mas num movimento que tem sido sem grandes sobressaltos'', disse o analista de consumo do Santander Tobias Stingelin. Segundo ele, as empresas descartaram durante suas apresentações com analistas grandes sinais de desaceleração das vendas, com exceção de alguns casos específicos, mais relacionados a problemas internos das companhias do que especialmente ao cenário macroeconômico.
Para o Santander, as empresas com foco no mercado interno merecem destaque na recomendação de compra de ações, ao contrário das ligadas ao setor de commodities. Para o estrategista-chefe do Santander, Marcelo Audi, o cenário de valorização do real, por exemplo, deverá ajudar as varejistas porque reduz os custos destas empresas e preserva o ciclo de consumo e o poder aquisitivo dos clientes. Em relatório a clientes, o banco projeta um crescimento do lucro por ação de 33% em 2011 e de 36% em 2012 das empresas de varejo do seu universo de cobertura. Em 2010, o lucro por ação destas companhias subiu 30%.
Boa parte do crescimento das vendas é creditado aos ganhos de renda, resultado das taxas de desemprego em níveis baixos, assim como pela concessão de crédito, estimulada pela estabilidade nos índices de inadimplência. ''Nenhuma empresa relatou preocupação ou grande aumento do nível de inadimplência. Os próprios bancos confirmaram isso'', destacou Stingelin. Em termos de renda, várias categorias de trabalhadores vêm obtendo reajustes salariais acima da inflação.
Vestuário
No caso da Lojas Renner, o diretor Administrativo e Financeiro e de Relações com Investidores da companhia, Adalberto dos Santos, disse que a empresa não sentiu efeitos de desaceleração da atividade econômica sobre as vendas do primeiro semestre. Ele evitou comentar as perspectivas para a segunda metade crédito. A aprovação final já está entre 65% e 70%'', disse Santos à reportagem.
Outra varejista com o mesmo discurso é a Marisa. O diretor de serviços financeiros da rede, Arquimedes Salles, disse em teleconferência com analistas que a inadimplência registrada pela varejista voltou no segundo trimestre deste ano aos níveis observados no ano passado. Ele explicou que a empresa intensificou seus processos de cobrança de clientes inadimplentes, levando inclusive à redução dos níveis de provisão de perdas.
Pesquisa divulgada pela Fecomércio de São Paulo apontou que o porcentual de famílias endividadas na cidade de São Paulo caiu de 47,3% em julho para 45,1% em agosto. Em números absolutos, 1,62 milhão de famílias tinham algum tipo de dívida em agosto, o que significou o menor patamar desde junho de 2010. Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, a taxa de desemprego poderá encerrar o ano entre 5,5% e 5,7%.

mockup