Emprego e renda cresceram em fevereiro
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quinta-feira, 15 de abril de 2004
Jacqueline Farid 
Rio de Janeiro - O mercado de trabalho industrial apresentou resultados positivos em fevereiro. Houve aumento de 0,3% no número de empregos, ante janeiro, e elevações reais significativas na folha de pagamento: 4,3% ante o mês anterior e 10,10% na comparação com fevereiro do ano passado. Para o economista André Macedo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desempenho mostra uma ''recuperação suave'' do emprego e da renda na indústria.
O analista Fernando Montero, da Tendências Consultoria, concorda que o cenário é de recuperação e atribui essa nova trajetória ao otimismo na expectativa dos empresários do setor, já captado em recentes sondagens divulgadas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Macedo alertou, entretanto, que os próximos meses serão fundamentais para confirmar se há solidez nessa recuperação, já que a ocupação caiu pelo 12º mês consecutivo, ante igual mês do ano anterior, com recuo de 0,9% na comparação com fevereiro de 2003. O emprego industrial caiu também no acumulado deste ano (-1,2%). Além disso, segundo ele, o aumento da folha foi fortemente influenciado pela queda da inflação neste ano e, sobretudo, pelo pagamento de benefícios como distribuição de lucros.
Macedo explicou que a inflação está se refletindo positivamente no rendimento dos trabalhadores industriais porque o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como deflator no cálculo da folha na pesquisa, apresentou variação de 0,6% em fevereiro, bem inferior ao 1,6% registrado em igual mês de 2003.
Mas o economista do IBGE observou que o principal indicador de tendência, que é o índice de média móvel trimestral, também aponta para alguma recuperação do mercado de trabalho na indústria. No caso do emprego, o resultado apresentado no trimestre finalizado em fevereiro é 0,2% superior ao finalizado em janeiro. Na folha de pagamento, houve um acréscimo de 4% entre um trimestre e outro. No primeiro bimestre, a folha que inclui salários e benefícios apresentou variação positiva de 8,4%.
A queda do emprego em fevereiro, ante ao mesmo mês do ano passado, ocorreu pressionada exatamente pelos setores vinculados ao mercado interno e que estão apresentando maior dificuldade de reação na atividade industrial, como vestuário (-11,8%), papel e gráfica (-6,4%) e têxtil (-6,1%). Em termos regionais, a principal contribuição para a queda foi dada por São Paulo (-1,8%).
Na comparação com janeiro, na qual ocorre ajuste sazonal, o IBGE não faz análises setoriais detalhadas. No entanto, Macedo disse que os dados mostraram que o acréscimo foi puxado por segmentos que vêm impulsionando a indústria nos últimos meses, vinculados às exportações ou à agroindústria.


